Nos arredores de Londres há uma mansão com uma inusitada característica: ela é torta. É ali que o milionário octogenário Aristide Leonides mora com a esposa, cinquenta anos mais jovem, além de filhos, noras, netos e uma cunhada, irmã da primeira mulher. Quando a polícia descobre que o patriarca foi envenenado, todos os habitantes da casa se tornam suspeitos, e a discórdia passa a imperar entre os membros da família – sobretudo, olhares desconfiados recaem sobre a jovem viúva. A neta mais velha de Aristide, Sophia, junta-se ao namorado para investigar o que há por trás da misteriosa morte do avô. Muito mais que um romance policial, A Casa Torta (1948) foi considerado pela própria Agatha Christie um de seus melhores livros. “Um suspense absoluto, com uma surpresa chocante no final. ”The Observer
A casa torta -
Agatha Christie
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Ver maisO cruzamento da história e psicologia no livro
A escritora inglesa Agatha Christie (1890 – 1976) escreveu um dos livros mais queridos pelos fãs, até pela própria autora, “A Casa Torta" (1949). Um livro contra com o cenário de uma Londres pós Segunda Guerra Mundial. Lembrando que a Inglaterra (antiga Grã Bretanha) sofreu vários ataques durante a Segunda Guerra Mundial, foi atingida pelo Blitz (conhecida como “guerra relâmpago”) que é considerado um dos mais devastadores bombardeios utilizados pelos nazistas. Lembrando, que alguns brasileiros estavam em Londres durante esse período perturbador (um exemplo, é o Vinicius de Moraes). A guerra trouxe muitas mortes e destruições para a atual Inglaterra. No livro, Philip Leonides nos mostra o motivo de seu irmão ter do morar na casa torta. No qual, foi uma consequência da guerra. “ Meu irmão veio para cá depois que a casa dele em Londres foi bombardeada em 1943 na blitz”. (CHRISTIE, 2013, p. 13) Diante disso, temos uma história narrada em 1° pessoa por uma das personagens, o Charles, que se apaixona por Sophia Leonides, uma jovem com uma família bastante complicada e sombria. Os dois só se encontram só depois de dois anos, em uma situação bastante difícil para Sophia. O avô de Sophia, Aristides Leonides, um homem muito rico acabou sendo envenenado em sua própria casa. Sendo que todos tinham motivos para matá – lo. A casa era habitada por Brenda Leonides, a segunda esposa de Aristides, uma jovem mulher. Philip e Roger, os filhos de Aristides. Philip tinha rancor do pais por alguns acontecimentos e Roger estava com a empresa falindo. Edith, irmã de sua 1° esposa, nutria um certo ódio por ele. Às suas noras, Magda e Clemency. Magda sempre queria viver uma vida de luxo e Clememcy queria ir embora com Roger e o velho Leonides não deixava. Os seus netos Sophia, Eustace e Jaqueline são suspeitos também. Além disso, tem o Laurence, que é professor particular das crianças e nutre um amor por Brenda. Alguém da casa torta é um assassino. Todos tinham motivos. Toda a família tinha um lado bom e um lado mal , bem sombrio, onde a maldade era diferente em cada pessoa. Sophia mesmo diz: “das pessoas cheias de retidão porém cruéis ao mesmo tempo”. (CHRISTIE, 2013, p. 23). Charles a pedido de Sophia fica encarregado de descobrir quem é o assassino (sem muito sucesso. Lembrando que nesse livro não temos a presença de Poirot e Miss Marple). Frequentemente, ele recebe às pistas da pequena Jaqueline. Uma criança de 12 ou 13 anos que adorava histórias de detetives, ela sabia de tudo que se passava naquela casa. Inclusive, ela “descobriu” quem é o assassino. Agatha Christie nos impressiona com tantos “Plot Twist". Pensamos que já descobrimos quem é o assassino e logo ela vem e nos faz mudar de opinião. Umas das pistas que o livro nos traz, é quando Charles pergunta para o pai (trabalha na polícia de Scotland Yard) às características de um assassino. Seu pai responde que, de modo geral, são vaidosos e gostam de falar sobre o crime, se acham muitos espertos e inteligentes. No fim, a gente percebe que o assassino estava bem na nossa frente e não percebemos. Você fica se perguntando no fim “o quê?”. Outra coisa importante no livro, é às características psicológicas de cada personagem. Percebem – se que todos vivem perturbados com algo, a casa não é um lar feliz, a desunião é outra característica. Todos vivem ressentidos com algo do passado. As personagens são frios uns com os outros. Nem às crianças, Jaqueline e Eustace, escaparam dessas problemáticas. Ambos, nutriam ódios e não cresceram em um lar amoroso. A mãe de Jaqueline chama – a de “bruxinha" (tudo isso pode influenciar a personalidade da menina). O livro nos traz muitas reflexões históricas e psicológicas, infelizmente não tem como falar de todas aqui. Mas algum dia espero escrever um trabalho sobre.
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