O lirismo de Veríssimo finalmente dá lugar a sua escrita mais realista, caucada na miséria e na praticidade que transformam o cotidiano simples em algo mais duro, mais queimado de sol. Essa obra não deve ser encarada como algo pessimista, apesar de retomar os personagens Vasco, Clarissa e Dona Clemência de obras posteriores - Clarissa e Música ao Longe nunca foram referidos como uma trilogia pelo autor - é nítida a ideia do autor de sobrepôr as fantasias da juventude com a dureza da fase adulta. Não é uma vingança e não há nada de voyeuristíco nessa obra. Mesmo os momentos de maior tensão entre Amaro, Fernanda e Clarissa, os quais não são propriamente parte de um triângulo amoroso, ainda deixam entrever que são acasos narrados pelo autor como alguém que observa o mundo a sua volta, sem propriamente lubricidade ou rancor. É o olhar levemente curioso de quem fuma um cigarro na janela. Recomendo.







