O livro narra a história real de Loung Ung e sua família, durante a ditadura comunista de Pol Pot, que dizimou cerca de 1/4 da população cambojana. Após a tomada de poder pelo exército do Khmer Vermelho, Loung e seus familiares, junto aos outros civis, são obrigados a evacuar da cidade rumo ao interior, para trabalhar de forma forçada no campo. Neste ínterim, os irmãos mais velhos de Loung são convocados a trabalhar em outros campos de trabalho para jovens, onde sua irmã Keav morre após adoecer de fome.
O pai de Loung era funcionário do antigo regime, de modo que eles precisam se disfarçar de camponeses e mudarem eventualmente de local para não serem descobertos. Por algum tempo, isso funciona, até que em um derradeiro dia, dois soldados batem na porta da cabana, procurando o pai de Loung, e o levam embora sob um pretexto, e ele nunca mais volta. Visando proteger os filhos, a mãe de Loung a manda embora junto de seus irmãos Kim e Chou, que se fingem de órfãos e acabam se separando pelas circunstâncias, sendo que Loung acaba se tornando uma criança-soldado.
"Primeiro mataram meu pai" é um relato forte sobre um dos maiores genocídios da história, sob a ótica de uma criança de 5 anos que teve a infância e parte da família roubada, e se viu obrigada a amadurecer precocemente a fim de sobreviver ao extermínio de seu povo. Destaca-se a qualidade da escrita de Loung Ung, que é realista ao ponto de retroagir no tempo, provocando a sensação de que estamos acompanhando, de forma onisciente, a pequena Loung e sua luta pela sobrevivência em tempo real. Uma das melhores leituras do ano.