Bruxaria Apocalíptica -

    Peter Grey

    Penumbra Livros
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788569871095
    Português Brasileiro

    Bruxaria Apocalíptica é considerado por alguns críticos como o livro moderno mais importante sobre a Bruxaria, e não é à toa. Longe de ser um grimório, um compêndio de rituais a serem repetidos e imitados, ele apresenta uma forma de enxergar a Arte que qualquer praticante pode assimilar em sua prática – uma visão que adapta e contextualiza a Bruxaria para os tempos modernos. O Apocalipse começou, inexorável e despercebido, bem debaixo de nossos narizes. A terra está envenenada, a massificação da cultura destrói nossa individualidade. Até mesmo nossos sonhos estão ameaçados. Não podemos apenas observar o colapso de tudo que nos é sagrado. A Bruxaria precisa revidar. Bruxaria Apocalíptica é um chamado às armas para todos aqueles que não estão satisfeitos. Hoje a natureza está arrasada e vivemos em cidades de concreto e vidro. Este livro mostra como os temas centrais desta tradição ainda podem e devem ser trabalhados, mesmo neste cenário desolado. Tempos apocalípticos exigem uma Bruxaria Apocalíptica, doa a quem doer. Esta é uma convocação para que todos os praticantes da Arte saiam de suas poltronas e se engajem nessa batalha, que ainda não está perdida. O livro aborda os tópicos centrais da Bruxaria sob o olhar poético e incisivo de Peter Grey. Entre os temas abordados no livro, estão: Sonhos como ferramenta para a Bruxaria; A influência dos poetas do século XX no atual renascimento da Bruxaria; O Diabo; O Sabá das Bruxas; Xamanismo; Licantropia e Transformações animais; A Deusa Quinze; Entre outros. O autor, Peter Grey, não é apenas um curioso. Além de praticar e viver a Arte no seu cotidiano, Grey é também o autor de outras obras importantes, como The Red Goddess e Lucifer: Princeps. Peter Grey é também o cofundador da conceituada editora britânica Scarlet Imprint.

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    Thiago Félix de Morais16/12/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Bruxaria Apocaliptica

    Décimo quinto dia de dezembro, o ano é 2017, a neutralidade da internet é derrubada nos Estados Unidos e com ela cai o sonho de que esta tecnologia corre para tornar a humanidade um sistema igualitário de conhecimento. Vendemos o sonho de nossa raça por pouquíssimos niqueis, retirados do ventre de nossa mãe à custa de outras tantas vidas nos campos de mineração. De certa forma, é disso que o bruxaria Apocaliptica fala, da necessidade de nos levantarmos contra a vilipendiosa moral capitalística que nos atravessa — uma moral de dormidas sem sonhos, uma moral que nos impele a letargia, uma moral que cria uma geração de bruxos que conhecem muito bem os usos mais simples de uma lua minguante, mas é constantemente incapaz de nos dizer sem quaisquer meios de consulta em que fase da lua estamos. A moral que cria bruxos avesso as questões ambientais e politicas do mundo em que vivem, das cidades em que vivem; bruxos que não choram a extinção das espécies nativas solapadas pela lama da Samarco. Uma série de pessoas que cultuam a religião da natureza, mas que jamais acenderam uma vela para que as empresas responsáveis fossem punidas. O autor destaca: “É a política que permite a destruição da própria terra que o ser defende, o homem é um animal político, aqueles que dizem que estão fora ou acima da política são os esotéricos, cujas mãos Limpas são lavadas no sangue daqueles que não tem escolha a não ser colocar as mãos na maquinaria.” Quando eu comecei a ler Bruxaria Apocalíptica, achava em minha inocência que livro daria machadadas precisas na falta de ativismo político/cultural/ecológico dos bruxos em geral, ledo engano, o livro é um incêndio na floresta, Peter Gray não destrói falsas pretensões de ancestralidade, fugas da complexidade das divindades, reações de anulamento dos aspectos sombrios dos deuses e de nós mesmos e todo o resto a machadada; como no Apocalipse de João, o livro lança sobre nós uma estrela que nos queima e torna amarga a água que bebemos durante tanto tempo. E o que é essa água? É a água da conformidade. Bruxaria Apocalíptica é um chamado às armas, uma trombeta que nos desperta para a iminência do juízo final, um apocalipse que nós mesmos provocamos em nossa inércia. Nos escondemos por detrás de mascaras de inofensibilidade; quando muito, alardeamos poderes de vida e de morte sobre nossos inimigos, mas nos esquecemos que o verdadeiro inimigo quase nos venceu na era passada. “O que está bastante claro é que a caça às bruxas não começaram com as bruxas e, portanto, não podemos evitá-las tornando-nos inofensivos e integrados e vinculando-nos aos sistemas corruptos de governança. (...) as acusações são sempre as mesmas, o que conta é como reagimos a elas, que verdades escondem e podem ser usadas para nos revelar.” Enquanto nos digladiamos procurando pela tradição perfeita, a religião torna-se obrigatória nas escolas brasileiras; enquanto gritamos qual grupo de sagrado feminino é o melhor, Kyara Barbosa, uma mulher negra, nordestina, periférica e trans se mata, engolida pela depressão de anos de transfobia e tentativas de assassinato; uma voz que se cala em meio as estatísticas. Bruxaria Apocaliptica não trás uma gama de rituais, nem mesmo uma série de feitiços fáceis. Apesar da escrita fluida, a pouco de fácil na leitura deste livro; ele nos trás algo ainda mais necessário: um panorama das coisas que por anos nos permitimos abster-nos. E como o próprio autor alfineta: a abstenção é uma forma de privilégio. O mesmo que muitos de nossos irmãos não tiveram. No mais, é importante ressaltar a qualidade do acabamento da Penumbra neste livro, o que demonstra o respeito que a editora tem com seus leitores, trazendo um trabalho de excelente qualidade, livre de erros de digitação, com uma capa dura bastante sólida e, diga-se de passagem, bem condizente com o tema. Sem duvidas um livro de cabeceira para todo aquele que deseja seguir o caminho da bruxaria.

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