2.5 - 3 estrelas, mas que 3 estrelas dolorosas, viu?
Esse livro realmente testou minha paciência. Acabou que eu tô arredondando para 3 estrelas, mas houve diversas vezes que eu quase abandonava. Eu tive diversos problemas com a totalidade desse livro.
Primeiramente, a personagem principal. Megan, pelos primeiros 60% do livro, é insuportável. Eu não aguentava ela, e olhe que eu simpatizo com quase todos os personagens já escritos da vida. Ela era muito egocêntrica, no sentido de só olhar para o próprio umbigo, e só falava de macho, rs. Não há problema algum em amar dar uns amassos, pegação livre, ou estar em um relacionamento, e eu estou muito feliz que estamos passando da fase de slut-shaming na literatura YA, mas Megan APENAS fala de garotos, namoro, pegação e afins. Ela é absurdamente monotemática por uma boa parte do livro, e isso deixou a história MUITO tediosa. Eu me encontrei irritada com a narrativa dela e seu ponto de vista, porque ela só batia na mesma tecla: a necessidade dela de namorar um cara URGENTEMENTE. Muito entediante. Basicamente fiquei me perguntando onde estava o enredo durante a primeira metade do livro.
O desejo dela de arranjar um namorado gato também era uma coisa que muito me irritou. Não que isso seja, per si, um problema, mas a questão era que ela queria ter um namorado simplesmente por ter um namorado, ter o status de relacionamento. Era como se seu próximo namorado fosse apenas mais um nome pra conta e fim. Ela não queria estar com alguém porque ela tinha sentimentos por ele, ou porque ela queria o amor. Não. Ela queria ter alguém pra chamar de namorado. Megan era muito imatura, emocionalmente falando, e apesar de que esse tema foi sendo desenvolvido ao longo do enredo, o seu desenvolvimento foi muito lento e pouco perceptível. As razões para ela agir desse jeito foram sendo explicadas no desenrolar do livro, mas não senti que eram realmente convicentes.
Não me dei muito melhor com os outros personagens. Tirando Owen, a quem adorei, e Anthony, um personagem ok, os outros eram tão frustrantes quanto. A melhor amiga dela, Madeleine, era absurdamente irritante, e o conflito entre ela e Megan foi muito mal-resolvido. Eu realmente detestei como a questão foi lidada, elas basicamente varreram pra debaixo do tapete o problema e resolveram ignorar. Tyler e Will também eram boys lixos. Quando todos os personagens começaram a encher meu saco, eu devia ter percebido o problema que eu teria pela frente.
A história era fraca e a traição foi tão usada como instrumento de progresso de enredo que me deixou incrível. Traição e traição e traição e pessoas pensando em trair e considerando trair etc. Sério isso??? Por favor, há muitos outros jeitos melhores de encaminhar a história sem recorrer constantemente a esse tema, mas a autora continuou batendo na mesma tecla e, deixe-me dizer, foi ruim.
Owen foi um ponto fora da curva. Ótimo personagem. Não tenho muito a falar sobre ele, exceto que ele me pareceu como o único personagem esférico na história. Todas as outras coisas eram sem graça e unilaterais. A dinâmica dele com Megan era interessante, e eu realmente gostei da amizade deles. Ele realmente conseguia trazer à tona o melhor nela, e isso era uma coisa boa. Lá pelo fim do livro, Megan começou a ficar tolerável, e eu simpatizei um pouco com ela, e senti que a razão disso foi Owen. Parabéns pra ele.
O final foi ok. Nada memorável, e nada que realmente tenha me satisfeito, mas foi bom. Basicamente, foi o que me fez arredondar pra três estrelas. No fim, esse livro me fez passar mais raiva do que alegrias, então, sim, três estrelas, mas um gosto amargo na boca e uma teimosia irremediável.