Escola "Sem" Partido - Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira

    Gaudêncio Frigotto (org.)

    LPP-UERJ
    2017
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788592826079
    Português Brasileiro

    Obra coletiva organizada pelo filósofo Gaudêncio Frigotto sobre a ameaça do Escola Sem Partido à educação e à sociedade brasileira. O livro disseca, ao longo de dez artigos de educadores e outros profissionais ligados ao campo da educação, as propostas conservadoras e autoritárias do Escola Sem Partido e a sua rede de influência na política. Os autores apontam que o Escola Sem Partido ganha visibilidade a partir do avanço conservador na sociedade brasileira nos últimos anos. O clima de desagregação social alimenta o denuncismo e prepara uma atmosfera de perseguição, que, no caso das propostas do Escola Sem Partido, tem como alvo os professores e a escola pública. Se encontram aí o interesse mercadológico em transformar a educação em um simples “serviço”, tratando pais e alunos como “clientes”, e uma visão ideológica de imposição do conservadorismo e da discriminação, com forte componente religioso, no ambiente escolar. O livro apresenta em diversos momentos o Escola Sem Partido não como um movimento, modo como se apresenta, mas sim, como um grupo bem restrito de indivíduos com uma rede de influência na grande mídia, igrejas evangélicas de corte ultraconservador e espaços virtuais de difusão do pensamento de direita, ou seja, um agrupamento com “partido” bem definido. O discurso do ensino “neutro” apresentado pelo Escola Sem Partido nada mais é do que uma tentativa de controle autoritário da produção e discussão do conhecimento, validando o que seria considerado como ciência oficial ou não. No cotidiano da sala de aula, tal proposta se desdobraria, entre outras possibilidades, em forçar a escola a ensinar de acordo com a “moral” exigida pelas famílias dos estudantes e não como espaço de convivência e diálogo das diferenças. Por mais que as propostas do Escola Sem Partido pareçam absurdas, não devem ser subestimadas. A conjuntura atual do país, de retrocessos tão brutais, é terreno fértil para a disseminação de ideias proto-fascistas como o Escola Sem Partido. Um livro necessário para toda a população brasileira entender e combater o “ovo da serpente” do Escola Sem Partido. Além disso, a obra é uma grande reflexão de como a educação deve SEMPRE ser: democrática e plural.

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    Murilo27/07/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    " o ato educativo não seria importante no processo de humanização, mas sim em buscar tornar o aluno um ser acrítico, um trabalhador, uma máquina trabalhando a serviço de quem realmente comanda o país: o capital financeiro. "

    O projeto Escola sem Partido, criado em 2004, se propõe a combater a contaminação político-ideológica que supostamente estaria presente em todos os níveis da educação brasileira. No entanto, o projeto carrega, subjetivamente em seus ideais, uma escola com partido e com ideologia, mas a ideologia pertencente à mentalidade das classes dominantes: a vontade de manter o status quo das coisas, conservando a desigualdade característica da sociedade capitalista. Historicamente, as oligarquias econômicas e políticas sempre se organizaram para manter a sociedade da forma como melhor as aprazia: a Independência (que tornou o Brasil um país monárquico, objetivando que não se realizassem grandes mudanças estruturais), a Proclamação da República (que só ocorreu por conta da mobilização das elites escravagistas descontentes com a abolição), o golpe de 1964 (que foi dado em resposta às Reformas de Base propostas pelo presidente João Goulart), etc. Partindo deste princípio, fica evidente que o projeto, que possui influências da ideologia neoliberal, surgiu com o objetivo de tornar a educação um projeto de inserção do educando na sociedade existente, ao invés de demonstrar a ele que as desigualdades podem ser superadas, tendo em vista que elas são criadas pela sociedade de classes e, portanto, não podem ser irremediáveis e naturais. Donde se pode concluir que o movimento busca apenas formar mão de obra barata, e desta forma a educação passa a ser vista como um ato tecnicista e de transmissão do conhecimento, ignorando completamente fatores emocionais, sociais e econômicos que tanto influenciam a realidade educacional de qualquer país. Partindo desta análise supramencionada, o ato educativo não seria importante no processo de humanização, mas sim em buscar tornar o aluno um ser acrítico, um trabalhador, uma máquina trabalhando a serviço de quem realmente comanda o país: o capital financeiro.

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