Minha vida, meu amor é um livro de Elaine C. que conta a história de Beatriz e sua busca pela filha Brenda. Bia era apaixonada pelo seu melhor amigo Marcelo, mas este não percebe o amor de sua amiga. Tentando chamar a atenção dele, Bia acaba engravidando de Brenda e Marcelo a assume como filha. Contudo, em uma situação suspeita envolvendo o pai biológico, Bê é dada como morta, mas nada tira da cabeça da mãe que sua filha está viva.
Um ponto positivo é que o enredo, em geral, é bom. Cheio de voltas e tramas lembra um desses episódios de caso de família ou uma dessas novelas mexicanas. Os desdobramentos e plot twists são tantos que acabamos nos prendendo em toda essa rede de mentiras, ansiosos para descobrir a verdade.
Infelizmente, a narrativa peça constantemente pro melodrama e, junto com um enredo cheio de reviravoltas, faz com que o livro fique com um ar de Malhação que me irritou bastante. Quando se tem uma narrativa com muitos plot twists, é necessário saber dosar o drama, como foi feito em Rede de Mentiras da Jas Silva, para manter o nível da obra.
Além disso, na minha opinião, a personagem principal Bia é muito chata, não simpatizei nem um pouco com ela. Barraqueira e dona da razão, é totalmente santificada pela autora. Incapaz de estar errada em um momento sequer, Bia ainda é o ponto central de todas as cenas dramalhentas do livro. Todo mundo já está careca de saber que personagens perfeitos não atraem os leitores de hoje em dia mas, pelo visto, Elaine C. não entendeu isso ainda.
O Marcelo, par romântico da Bia, também não me agradou. A autora cometeu com ele o mesmo erro que houve na Bia: santificou-o. Para que os leitores possam ver os personagens como pessoas reais é importante que eles não sejam perfeitos, que tenham defeitos, que cometam erros. Criando personagens assim Elaine só afasta seus leitores.
Para mim, a personagem mais bem desenvolvida da história foi Esther. Justamente por ela ter defeitos fria e, às vezes, um pouco insensível foi muito mais fácil ver ela como uma pessoa real, e não alguém idealizado. Contudo, ela teve bem pouco espaço e foi muitas vezes retratada como vilã por não idolatrar e concordar com toda fala e ação de Bia.
A Alicia/Brenda poderia ter sido um elemento legal, crianças sempre trazem leveza para uma história, mas foi muito mal utilizada. Acabou caindo nesse vórtice da Bia e suas cenas acabaram sendo toscas e acompanhadas de breguice e melodrama.
O Daniel e a Marina, na minha opinião, foram os típicos vilões de filmes infantis. Só faltavam gritar hahaha no final de cada frase e dizer que seu objetivo de vida era estragar a vida da santa Bia. Poderiam ser muito mais desenvolvidos e acabaram aumentando ainda mais a sensação de que eu estava lendo um episódio ruim de Malhação.
Felizmente, as cenas do início do relacionamento entre Bia e Marcelo, quando os dois ainda eram adolescentes, são muito boas, já que momentos mais dramáticos são esperados nessa idade. Gosto de clichês e não tem nada melhor que um bom romance entre amigos e, nessa fase inicial, a história do casal não teve defeitos.
As cenas de sexo também foram outro ponto alto de Minha Vida, Meu Amor. Muito bem escritas e com um ritmo muito bom, Elaine C. provou que sabe escrever hots, algo que muitas autoras excelentes até hoje não dominam.
Minha Vida, Meu Amor possui um enredo principal muito legal cheio de reviravoltas que nos prendem à história. Infelizmente a narrativa é muito dramalhenta e brega, com personagens extremamente caricatos. No geral, parece que estou lendo uma novela mexicana de qualidade duvidosa e só recomendo para quem é fã disso. Leia por sua conta e risco.
Steban, Camilla
12/01/2022