Drummond é excelente em prosa ou verso! Brilhante!
As Historinhas são deliciosas de ler, todas muito bem escritas, mas algumas, chamam mais atenção pelo humor, ironia e pequenas filosofias.
Drummond em uma entrevista dada em 1984 ao autor do posfácio, Edmílson Caminha, diz:
“A crônica eu faço profissionalmente, porque preciso ganhar dinheiro. O jornal me paga, então eu debulho aquilo como uma coisa até meio mecânica. Uma vez ou outra é que me sinto assim com mais prazer; fora disso, faço aquilo por obrigação. Não é uma obrigação tediosa porque procuro fazer corretamente, para não chatear demais o leitor. Mas sinto que às vezes chateia, porque aparecem reações. [...] Eu escrevo prosa por obrigação.”
“Era como se o autor não se colocasse entre os profissionais do gênero.”
Como se achasse que não fosse tão bom em prosa como em poesia. Discordo e acho que assim como eu, deve haver muita gente que discorda. Além disso era contista e ensaísta.
Gostei muito das seguintes historinhas: Os Pescadores, Assalto, Recalcitrante, O Importuno, Quero Lasanha, O Outro Mundo, A Visita Inesperada.
Cito um trecho da historinha “Nascer”
“Aída Isabel, não vou transmitir nenhuma palavra de ordem. Você será moça num Brasil tão diferente deste meu (já assisti a dois ou três brasis, em quarenta anos) que nem sei o que poderia servir-lhe de instrução para trabalhos e sonhos. Tudo está sempre por acontecer de novo e pela primeira vez. Cresça, Aída Isabel, e floresça. Estamos muito precisados de flores, de moças e de vir a ser.”
Faço outra pequena citação da historinha “Maneira de Olhar” que achei muito pertinente:
“É ruim ficar acostumado: não se vê mais nada, as coisas vão se apagando. Eles conversam demais, seria tão bom que todo mundo ficasse calado, pensando, sentindo; o quê? sentindo.”