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    A Ditadura Encurralada (Coleção Ditadura #4) - O Sacerdote e o Feiticeiro

    Elio Gaspari

    Intrínseca
    2014
    528 páginas
    17h 36m
    ISBN-10: 8580574501
    Português Brasileiro
    4.3
    482 avaliações
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    No dia 12 de outubro de 1977, quando exonerou o general Sylvio Frota do cargo de ministro do Exército, o presidente Ernesto Geisel pôs um ponto-final na anarquia militar que tomara conta do país. Era o confronto – que a ditadura vinha evitando desde 1964 – de duas noções. Segundo Frota, o presidente da República era um delegado dos comandantes militares. Segundo Geisel, os comandantes militares eram subordinados do presidente da República. A ditadura encurralada, quarto volume da série sobre os “anos de chumbo” escrita por Elio Gaspari, narra como Geisel e o general Golbery do Couto e Silva, ministro chefe do Gabinete Civil, conseguiram vencer essa guerra, que o marechal Castello Branco perdera e seu sucessor, Costa e Silva, nela se rendera. Publicado originalmente em 2004, o livro narra os vários episódios que ajudaram a azedar a relação entre a Presidência e setores das Forças Armadas. Um deles é o assassinato do jornalista paulista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, nas dependências de uma unidade do Exército, aonde comparecera para depor. Morto sob tortura, era, na conta de Gaspari, o 38º preso a se “suicidar” numa prisão da ditadura, o 18º a “enforcar-se” na cela. No dia da demissão de Frota alguns auxiliares de Geisel foram trabalhar armados. O presidente, contudo, organizara tão bem o seu esquema que não se preocupou com uma eventual reação. Prova disso: deixou a mulher e a filha no palácio da Alvorada. A ditadura encurralada compõe com A ditadura derrotada, terceiro livro da série, um conjunto denominado O sacerdote e o feiticeiro. Os dois primeiros livros, A ditadura envergonhada e A ditadura escancarada, formam o conjunto As ilusões armadas. A ditadura acabada é o quinto livro, que encerra a coleção.

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    Jéssica Silvestre de Paulo picture
    Jéssica Silvestre de Paulo10/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os jovens que em 64 eram crianças demais para entender e temer o que foi chamado de "ameaça comunista" tinham outras demandas, a inflação que veio depois do milagre econômico fazia com que o poder de consumo diminuísse e o declínio dos investimentos na indústria fez com que o crescimento do PIB desacelerasse. Todos esses fatores somados às propostas de abertura política e os protestos cada vez mais comuns acentuaram a crise no governo e as conspirações sobre quem seria o secador de Geisel. A esquerda se infiltrava cada vez mais no MDB e era maioria em muitos estados, o que forçou Geisel a aprovar uma reforma política para garantir a manutenção do poder. De um lado tínhamos aqueles que lutava e conspiravam pela conservação dos ideais de 64, de outro estavam aqueles que queriam o respeito aos direitos humanos e também os que já não viam vantagens econômicas na ditadura.

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