Cachinhos de prata
Cachinhos de Prata me emocionou muito. O tema da velhice sempre me comove. Numa sociedade que reverencia a juventude, envelhecer geralmente é um processo difícil e, na maioria das vezes, solitário. Cachinhos de prata, de Leo Cunha, com ilustrações de Rui de Oliveira, traz uma avó que já não lembra dos seus três netos, já não lembra dos momentos que passaram juntos. Os netos, que a visitam todos os domingos, a chama de Cachinhos de Prata, pois os cabelos já não são negros, como um dia já foram. As lembranças de Cachinhos da Prata, assim como seus cabelos, já não têm mais o mesma cor. Elas, as lembranças, estão esmaecidas. Os três netos precisam achar novas formas de dividir momentos especiais com a avó. Cachinhos da Prata é mesmo um livro especial. Como abordar um tema tão sensível com as crianças, sem falar na palavra Alzheimer? Leo Cunha consegue de forma especial. Fiel à proposta da escrita, as tocantes ilustrações de Rui de Oliveira dão ainda mais sentido à narrativa. As ilustrações sugerem o desfazer de lembranças que se vão, iguais à história contada no livro. Na capa, as folhas se indo, as peças de dominó, o livro, um conjunto disseminando sentidos.
