Esse era um dos livros que eu mais estava esperando para ler nesse ano, mas confesso que não esperava nada absurdamente incrível e que fosse mudar minha vida, baseado nas resenhas que tinha lido. Só queria uma releitura contemporânea de Orgulho e Preconceito que fosse romântica, mas ainda diferente de todas as outras, e a ideia de protagonistas negros me conquistou completamente. Pride é assim, mas ainda tem muito mais bagagem cultural do que eu esperava. Para ser bem honesta, minha nota teria sido só 3 se não fosse pelo final e o que levou ao título, mas ainda adorei a história e o livro foi exatamente o que eu esperava que fosse. Minha nota verdadeira é 3,5.
Foi muito legal ver os paralelos entre esse livro e a história original, principalmente porque eles foram todos apresentados de um modo super natural. Se você nunca tiver lido Orgulho e Preconceito (antes de mais nada, vai lá ler agora mesmo!), nem vai perceber que foi inspirado na história. E é assim que eu gosto de releituras! Não gosto quando forçam os acontecimentos para ficarem parecidos ainda que não encaixem na releitura.
Mas faltou romance. Tenho outra crítica para o livro, mas essa foi a única que me deixou levemente desapontada. Faltou romance, interação entre a ZZ e o Darcy. As cenas deles são bacanas, mas eu queria que a autora tivesse explorado mais essa relação de amor e ódio, em momentos mais intensos e talvez únicos. Fiquei com a impressão de que ela estava tentando não sair tanto da história original e criar cenas e interações completamente diferentes, mas acho que teria sido bacana. Na original, só as posições e classes da Elizabeth e do Darcy, além de toda a etiqueta da época, já ajudam a criar a tensão entre os dois e cada momento que o Darcy é mencionado ou aparece é mais uma razão para nervosismo da parte do leitor. Mas, na nossa sociedade moderna, é mais difícil criar essa tensão, e deu para ver que ela faltou um pouco aqui. O romance é okay.
Tem outra coisa que preciso comentar: eu queria mais. Queria que a história tivesse acontecido um pouco mais devagar, que a autora tivesse passado mais tempo em cada momento, explorado tudo mais, que o livro tivesse a mesma história, mas fosse maior. Foi um pouco corrido, de um ponto a outro rápido demais, quando teria sido maravilhoso se cada cena fosse mais aprofundada - ou pelo menos algumas delas. De certo modo, o Darcy e a própria protagonista ficaram bastante superficiais, o que chega bem perto de ser revoltante. Zuri tem uma cultura maravilhosa à sua volta, tanto dos seus pais, quanto da proprietária do prédio onde eles moram, mas seu desenvolvimento pessoal é raso e rápido.
Mas o livro ainda é um amorzinho e é ótimo ver editoras dando espaço para histórias com essa, para autoras como a Ibi Zoboi. Quero viver em um mundo em que uma releitura de um clássico inglês com protagonistas negros e culturas diferentes não seja uma surpresa ou exceção. Minha parte favorita de todo o livro foi a visão da protagonista sobre sua vizinhança. Seus poemas são ótimos também, mas o final foi o que ganhou meu coração. E não digo o final do romance, mas da reviravolta na vida dela e de como ela reage.
Quem ler vai entender!
E, só porque eu realmente preciso fazer esse comentário, essa capa e a diagramação do livro são verdadeiras obras de arte!