O quão estranho seria se eu dissesse que o livro dois é cheio de tretas? Não estou brincando, o primeiro livro é cheio de problemas e dramas, o segundo tem uma quantidade absurda de problemas adicionais e decisões difíceis. Além disso, soma-se a profusão de indivíduos com poderes e demônios sussurrando impropérios aqui e ali.
É necessária a leitura do livro 1 para total entendimento do que se desenrola nesse segundo volume.
Há uma visão melhor de personagens que foram apenas vislumbrados anteriormente, uma descrição de objetivos e propósitos da Ordem dos Cavaleiros Prateados e da DEULTCH são apresentados. Detalhes sobre as famílias vampirescas e o modo de vida dos vampiros também são descritos. A ambientação dos cenários é bem feita e torna-se fácil imaginar todos os lugares pelos quais os personagens passam.
A relação dos personagens também se estreita. As vivências da primeira obra foram responsáveis por criar novos e permanentes laços.
Dentre os personagens já apresentados, Guilherme e Ana Clara são os que reservam maiores revelações. Dos novos, Rita é indispensável para que Cecília, Ana Clara e Marine saibam o que está acontecendo com elas e contribui para a segurança das meninas. Luciano pouco aparece, mas o autor dá a entender que seu papel no futuro será importante.
Por fim, a evolução de Orion. O papel do personagem toda dimensões ainda maiores e ele poderá ser responsável por muitas reviravoltas no enredo. Agora, orientado, instruído e treinado por Soren, o vampiro percebe minimamente do que é capaz. Porém, o ancião pretende manipular e usá-lo como arma para conquistar seus objetivos obscuros.
(...) ao ouvirem a jovem wicca dizer que coisas únicas aconteceram a poucas horas e elas nem mesmo se deram conta disso, fez com que cada uma refletisse o quanto estava alienadas até aquele momento.
Os questionamentos, então, giram em torno do que ele será capaz de fazer e quais são os reais motivos de Soren. E sim, tragicamente, chegaremos ao final da leitura sem ter clareza sobre esses fatos. Estamos naquele momento que o autor deve ser ameaçado. Orion vs A Ordem dos Cavaleiros Prateados acaba na melhor parte. Não há qualquer dúvida sobre isso. Kilzer deixa o leitor pendurado na última página, com – talvez – um olhar ameaçador.
O livro é de leitura rápida, “livro de uma tarde”. Não encontrei erros de revisão e a diagramação é simples, clara e agradável aos olhos, com páginas brancas. Confesso que estranhei um pouco a capa sem o título do livro e nome do autor, mas ao descobrir que é uma versão limitada, achei interessante. Ter diferenciais é sempre relevante no mercado editorial.
Todos os vampiros ali presentes estavam interessadíssimos em conhecer pessoalmente o jovem promissor.