Diário de escola
Diário de escola não é o primeiro livro que leio de Daniel Pennac e, espero, não será o último. O autor tem uma escrita leve e fluída e trata de assuntos que muito me interessam. Neste livro, por exemplo, ele fala sobre alunos com baixo rendimento escolar e faz isso com propriedade por conhecer os dois pontos de vista: como aluno, Pennac era considerado um fracasso; como professor, ele tem de lidar diariamente com estudantes que não possuem um desempenho satisfatório. “Basta um professor – apenas um! – para nos salvar de nós e nos fazer esquecer de todos os outros” Diário de escola (pg. 209) É muito interessante o modo como o autor nos mostra que o “mau aluno” muitas vezes (quase sempre, na verdade) é fruto da forma como os outros o tratam: considera-se o “mau aluno” um aluno perdido e não é dada a chance para que ele prove o contrário. Mais que isso: o próprio estudante deixa de acreditar em si mesmo. “E é esse o destino do ignorante: ninguém acredita nele” Diário de escola (pg. 73) O livro é dividido em 6 grandes capítulos (que chamarei de seções), cada um deles subdividido em 12 capítulos menores. Apenas as seções possuem título e são acompanhadas de uma epígrafe, como mostrarei abaixo: I- O aterro de Djibuti Estatisticamente tudo se explica; pessoalmente tudo se complica. II- Tornar-se Tenho doze anos e meio e não concluí nada III- Nós ou o presente da encarnação Nunca conseguirei IV- Mas então você faz isso de propósito Não fiz de propósito V- Maximilien ou o culpado ideal Os professores nos tiram do sério VI- O que significa amar Neste mundo é preciso ser um pouco bom demais para ser o suficiente (Marivaux, Il gioco dell’amore del caso). Diário de escola foi um livro que tive vontade de falar para o mundo sobre. Ele é uma importante ferramenta para professores, uma ótima leitura para curiosos e uma excelente ajuda para “maus alunos”. Um livro, portanto, para muitos gostos. “Nada sai como o previsto, é a única coisa que o futuro nos ensina quando se torna passado” Diário de escola (pg. 43) A minha vontade é citar quase metade do livro aqui, mas não quero estragar o prazer da leitura daqueles que se interessaram por ele. Deixo, então, apenas mais uma citação e aproveito para dizer que li o livro em italiano e todas as citações que aqui aparecem foram traduzidas por mim do italiano para o português. “Reduzidos a nós mesmos, somos reduzidos a nada. Tanto que, por vezes, nos suicidamos” Diário de escola (pg.58)

