“O que fazer da biografia, quando ela já não responde?”, pergunta o poeta a dado passo, e talvez esta sequência de textos seja sobre isso, sobre a resposta mútua da poesia à biografia. Ou a incapacidade de resposta. O texto está cheio de alusões elegíacas ou apocalípticas, embora menos descritivas do que nos livros propriamente fúnebres de Quintais. O tom é solipsista, quase não há diálogos com terceiros. São assumidamente poemas de desamparo, que têm a sua imagem objectivada na eliottiana “cidade irreal” que conhecemos já de anteriores colectâneas, urbe de metal e asfalto, de consumo e resíduos, de angústia e vazio. […] E no entanto, Luís Quintais extrai deste negrume uma espécie de eloquência da sombra, um discurso rigoroso em dísticos elegantes e exigentes, pensantes.»


