
Paul de Man (6 de dezembro de 1919, Antuérpia, Bélgica - 21 de dezembro de 1983, New Haven, EUA) foi um teórico belga-estadunidense da literatura e da retórica. Amigo de Jacques Derrida, é considerado importante na difusão da desconstrução nos EUA. Defendia uma crítica atenta aos procedimentos figurativos dos textos e principalmente às contradições latentes nessas figurações. Seu trabalho examina a problemática da leitura no interior do texto, observando como ele simultaneamente afirma e nega suas premissas e integridade. Poucos anos após seu falecimento, veio a público que de Man havia publicado, durante a guerra, dezenas de artigos para um periódico colaboracionista em sua terra natal. Apesar de muitos serem comentários inocentes de apresentações artísticas, destacam-se um de teor antissemita e outro favorável aos invasores alemães. Isso alimentou uma revisão radical de seu trabalho e de sua imagem. Sabe-se também que, antes da invasão alemã à Bélgica, ele havia trabalhado em uma publicação estudantil democrática e antifascista, o Cahiers du Libre Examen, forçosamente interrompido pelos nazistas. As discussões em torno de seu legado, biografia e publicações de juventude duram até hoje, por vezes obscurecendo seu trabalho de maturidade. Após a guerra, de Man imigrou para os EUA, onde obteve sua pós-graduação, nos anos 1950, pela Universidade Harvard em Literatura Comparada com uma tese sobre Mallarmé, Yeats e Stefan George. Nos anos 1960, lecionou nas Universidades de Cornell, Johns Hopkins e Zurique. Dos anos 1970 e até seu falecimento em 1983, foi chefe dos departamentos de Francês, Literatura Comparada e Humanidades da Yale, onde se destaca como figura central da Escola de Yale de Crítica Literária ao lado de figuras como Jacques Derrida, J. Hillis Miller, Geoffrey Hartman e Harold Bloom. Além disso, também orientou teses como a de Gayatri Spivak e Barbara Johnson.