Com um certo carinho eu digo que esse livro aqui, além de ter sido o primeiro do Philip K. Dick que li na vida, foi também um dos primeiros, senão o primero, com uma edição bem superior dos que eu adotei para morar na minha estante. Aliás, depois de ter lido essa edição especial de 50 anos, confesso que sempre dá vontade de lê-lo várias e várias vezes. Acho que isso vale para qualquer uma que seja assim!
Aliás, a capa desse livro não é essa capa, ela é só um enfeite. Fiquei em transe quando quase o derrubei no chão, essa capa fake ia escorregando valendo da minha mão :/
Então, não vou enrolar muito sobre falar do que se trata a história do livro porque acredito que muitas pessoas a conhecem, ainda mais para quem é fã de ficção científica. Mas na boa, eu lembro que só comprei pelo hype das críticas de anos e anos desde o filme, por ser um clássico e tal; fora que não li sinopse alguma quando pensei em adquirir (quase nunca leio), pois já sabia mais ou menos do que se tratava, porém, eu tinha certeza de uma coisa, de que eu iria gostar, porque qualquer obra que me conecte a um mundo cyberpunk ou qualquer outro do subgênero punk existente já tem a minha atenção.
Blade Runner é uma das grandes referência do gênero cyberpunk, disso eu sabia, mas precisava ler para saber mais da história em si.
Sobre a construção da narrativa, de certa forma eu gostei. Já havia lido ele ano passado, acho, mal lembro, e naquela vez que o li eu não me conectei 100%, foi uma leitura corrida e confusa (lancei logo um 3,5 de depre). Só depois de um longo tempo decidi reler, e olha que coisa, o PKD se tornou um dos meus autores favoritos (só li UM dele!, mas já veleu demais para entra na lista).
Voltando a falar sobre a narrativa, eu sentia na minha leitura um clima de melancolia constante cada vez mais assim que ia passando as páginas. A causa disso muito se deve as descrições do ambiente e de estado de espírito dos personagens, principalmente sobre como o principal se comporta em um mundo devastado por uma grande guerra que ocorreu tempos atrás na linha de tempo da história, a GMT (Guerra Mundial Terminus).
Rick Deckard, assim como (ouso dizer) a maioria dos personagens, não é nada carismático.
Até porque, não imagino, como poderia ter carisma um personagem que precisa usar aparatos eletrônicos para controlar as suas próprias emoções? Isso me lembra a remédios controlados, de fato. Ainda sim, isso tudo se torna muito mais compreensivo quando você entende o contexto geral de como o mundo, o planeta Terra, se encontra. Pois, não é só o Rick que usa o "Penfield", mas quase a população toda faz uso desse mecanismo estimulador de ânimo e de outras coisas mais.
A Terra, o nosso lar. O lar do casal Deckard e de seu animal elétrico de estimação.
Quando eu estava lendo as partes que citavam a precipitação redioativa; a quase inexistência de animais; a partida de pessoas para Marte ou para outros mundos e, principalmente, sobre a poeira, eu já falei comigo mesmo: "isso tudo é o que os noticiários vem falando, sobre poeiras atingindo cidades, o clima do planeta indo de mal a pior e as viagens espaciais". A nossa realidade está cada vez mais parecida com a de Blade Runner, e isso não chega a ser surpresa alguma.
Se é algo que pode vim a ser incômodo ou não para quem for ler ou de quem o leu, talvez seja a questão da falta de desenvolvimento dos personagens ser quase zero na história; eu acredito que seja uma característica que faz da narrativa do autor neste livro, com exceção do personagem principal e do John R. Isidore (surge depois de algumas páginas como para servir de perspectiva para outros personagens...). Além do mais, fiquei querendo saber mais detalhes sobre a vida desses outros persons e sobre os problemas do mundo em si. Há muitos ganchos de coisas que, ao que parece, só surgem para cativar a nossa imaginação e interpretação, mas creio que o autor não deu foco nisso porque poderia desviar a atenção da narrativa principal, que é acompanhar a rotina de um caçador de recompensas caçando andróides e tentando encontrar algum sentindo na sua vida.
Essa resenha já está longa demais, e ainda nem terminei de falar metade do que eu senti lendo, mas é melhor parar por aqui :/; alguma hora eu volto e complemento com mais alguma coisa, porque rendeu demais essa releitura .
No mais, diria que a história pode ser até curta, cerca de 230 páginas, mas ainda assim possui uma quantidade considerável de personagens e é muito densa em questão de reflexão existencial de alguém preocupado com o seu próprio bem-estar e o da pessoa que vive ao seu lado.