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    O loteamento do céu -

    Blaise Cendrars

    Companhia das Letras
    2009
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788535913118
    Português Brasileiro
    4
    3 avaliações
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    O loteamento do céu é o quarto e último volume das Memórias de Blaise Cendrars, embora seu conteúdo possa desconcertar os leitores que esperam relatos objetivos de fatos historicamente comprovados dentro e fora da vida do autor. O próprio Cendrars já havia advertido os numerosos e ávidos fãs de seus três títulos memorialísticos anteriores que, com seu novo livro, "a viagem continua, mas pelas vias do mundo interior". Este é o volume mais surpreendente da série, com sua escrita rapsódica, abundante e sinuosa que não cessa de intrigar a crítica e fascinar seus admiradores. A caprichosa arquitetura do livro reúne três partes com absoluta autonomia temática e estilística. A primeira e a terceira parte estão ancoradas na experiência brasileira de Cendrars resultante de suas três prolongadas visitas ao país, a partir de 1924. A segunda parte é ocupada pelas levitações de São José de Cupertino e outros santos com o mesmo dom. O resultado é um livro ainda hoje moderno e absolutamente único.

    Resenhas (1)Ver mais
    Wagner Paulin picture
    Wagner Paulin04/03/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    PARAÍSO DAS SERPENTES

    Dizem que, a exceção de duas espécies, a piton sagrada da Índia e a serpente de chifre de Formosa, o Brasil tem todas as espécies de serpente do mundo, além das próprias, daí porque se chama a essa terra escaldante , a esse inferno da floresta virgem, de “Paraíso das Serpentes”. CENDRARS, Blaise. O loteamento do céu. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. pg 32.

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    Blaise Cendrars profile picture

    Blaise Cendrars

    A paixão pela aventura foi uma constante na trajetória do poeta e romancista franco-suíço Blaise Cendrars, que fez das viagens, reais ou imaginárias, a matéria-prima de sua criação. Cendrars fez sete visitas ao Brasil. Na primeira delas, em 1924, quando foi subvencionado pelo milionário e mecenas paulista Paulo Prado, permaneceu por nove meses. Travou contato com artistas modernistas em São Paulo, conheceu Donga e outros músicos populares no Rio de Janeiro, onde subiu sozinho uma favela, e passou a Semana Santa nas cidades históricas de Minas Gerais, ao lado de Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, na chamada “caravana modernista”. Foi Cendrars – um estrangeiro – quem despertou o interesse dos modernistas pela arte regional e tradicional barroca de Minas Gerais. Mário de Andrade chegou a declarar que foi Cendrars quem o libertou da França. E é a viagem com o escritor ao Rio de Janeiro, no Carnaval, que faz aflorar em Tarsila o gosto pelo popular, pela poesia das favelas e da gente humilde, até então soterrado pela influência do “bom gosto europeu”. Foi Cendrars, aliás, quem escreveu os textos do catálogo da primeira exposição de Tarsila em Paris, na Galerie Percier, em 1926. Tudo o encantava: a mestiçagem, as esculturas de Aleijadinho, as aventuras de Lampião. O Brasil nunca mais deixaria sua obra, estando presente nas poesias de Feuilles de Route, no fantástico personagem Coronel Bento de D’Oultremer à Indigo, no Febrônio de Magia Sexualis, e também no livro de memórias La Tour Eiffel sidérale. “Feliz de poder romper com o comércio de manifestações parisienses, onde se confinava a poesia – dadaísmo, surrealismo –, agarrei a oportunidade pelos cabelos e parti o mais depressa possível”. Cendrars rompe com seu passado de esteta, e essa ruptura se reflete nesse verso: “Adieu Paris, Bonjour soleil”, que se traduz como “Adeus Paris, Bom dia Sol”.

    7 Livros
    6 Seguidores
    La Chaux-de-Fonds, Suiça

    Blaise Cendrars