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    Oposição Operária 1920-1021 (Bases) -

    Alexandra Kollontai

    global
    1980
    93 páginas
    3h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.6
    5 avaliações
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    Alexandra Kollontai alerta contra os "perigos de degeneração burocrática que ameaçam". Defendia a gestão coletiva nas indústrias, da liberdade de expressão, da participação ativa dos sindicatos operários na economia do país, e a critica contra a burocracia instalada no Partido Comunista Soviético, eram os princípios que a Oposição Operária foi levada a insistir até a exaustão. Denuncias já começavam a demonstrar o caráter burocrático e reformista que o Partido Comunista estava seguindo, para nesse determinado momento estava tomando um rumo do quais trariam sérios problemas ao sistema socialistas da União Soviética, as vias para o capitalismo de Estado.

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    Stefanie Oliveira picture
    Stefanie Oliveira20/05/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Importância do Manifesto da Oposição Operária

    O livro da edição de 1980 da Global Editora, Coleção Bases de número 26, possui 93 páginas com notas do editor para melhor compreensão do texto, o manifesto, notas histórias para complementar e compreender as referências, cronologia sumária dos acontecimentos, bibliografia e índice. É um texto bastante claro, apesar do manifesto ser bastante pertinente e difícil para quem não entende muito bem a Revolução Russa, se tratando de um manifesto escrito durante o período cujos temas são específicos e muito distantes da nossa realidade hoje. Esse é um livro esclarecedor sobre as ideias e ativismo de Alexandra Kollontai que apesar de muito conhecida e lida, nunca teve verdadeiro reconhecimento na época e ainda hoje continua sendo distanciada dos Bolcheviques uma vez que tem diversos trabalhos focados na emancipação da mulher e maior reconhecimento no feminismo. Kollontai era ativa sobre as questões da mulher proletária principalmente, mas sobre tudo era uma militante marxista-leninista bastante crítica à burocratização. O livro tem um conteúdo bastante completo para compreender quem foi Kollontai e quais suas bases na militância, diria até que é um manifesto importantíssimo para o feminismo marxista e que deve ser (re)lido. Acredito ser um ótimo complemente ao livro Revolução dos Bichos do autor George Orwell que também está carregado de críticas ao período. Ao contrário de Kollontai, que por fala de forma mais direta ao Partido Comunista, Orwell usa figuras de linguagem e métodos bastante peculiares para fazer crítica. Indico que leiam ambos ao mesmo tempo ou primeiro o manifesto e depois a obra de Orwell para melhor compreensão de todo o contexto. A chamada "gestão individual" das empresas industriais defendida por Lenin tem início em 1918 era uma contradição com a ideias defendidas pelo Partido Comunista Russo na Revolução Bolchevique. Levou os setores mais avançados do proletariado russo à desmoralização. Tal atmosfera contribuiu nitidamente para uma degenerescência burocrática extrema após a tomada do poder. Alexandra Kollontai líder revolucionária e teórica do marxismo-leninismo, militante ativa durante a Revolução Russa de 1917 decidiu escrever o manifesto importantíssimo "Oposição Operária 1920-1921", ao se juntar nesse mesmo ano à oposição, onde fez duras críticas a burocratização do Partido Comunista Russo tão defendida e praticada por Lenin e Trotsky principalmente, seu manifesto defendia a organização das massas de forma autônoma, desacreditada por Lenin e Trotsky que apesar de louvar a iniciativa e o controle pela base, em sua prática insistia na disciplina, na obediência e na necessidade da gestão individual, principalmente se tratando das empresas industrias e não na gestão coletiva. O objetivo do manifesto de Kollontai era criticar a vanguarda, que à essa altura se desprendia quase completamente da classe trabalhadora (proletariado) de forma demagoga, recorrendo a especialistas burgueses como base para a transição da economia, que Kollontai criticava por ser tratar de uma estratégia capitalista que afastava o proletariado da participação nessa transição. "Só a vanguarda da classe pode trazer a revolução, mas só a totalidade da classe, através da sua experiência diária e do trabalho prático das suas organizações de base, pode criar." - Alexandra Kollontai Para Kollontai era preciso que o Partido Comunista tivesse uma base sindicalista puramente da classe trabalhadora que se desenvolveria através da experiência diária e do trabalho prático exercido pela classe trabalhadora, ainda que com erros de forma completamente ativa.Para ela o comunismo só podia ser construído, portanto, através de um processo de busca na prática (praxis), com erros e acertos, a partir das capacidades criadoras da própria classe operária, ou seja, a partir da organização dos que tudo produzem. Trotsky e Lenin a cada dia que passava defendiam e se conciliavam com os sindicatos das industrias, teóricos intelectuais e burgueses e se afastavam ou afastavam completamente a classe trabalhadora do principal objetivo: a tomada de poder dos meios de produção. Não era possível exercer a atividade autônoma sem liberdade de pensamento e de opinião, coisas que se manifestam não só através de iniciativa, mas de ação e de trabalho, assim como também no pensamento independente. Segundo ela, o motivo da repressão sofrida pela oposição ao criticar ambos era medo da crítica e do livre pensamento e devido a isso eles deixavam de apoiar as massas, ao não apoiá-las ou não acreditá-las é que surgiam as burocracias que produzem resultados como violências, opressão, desvio de objetivos, repressão e etc., que pra ela seria o maior perigo para o Partido Comunista, assim como o fim dele. "A burocracia é a negação direta da atividade autônoma das massas." - Kollontai, A. O manifesto nasceu devido a declarações submetidas ao Comitê Central do Partido por Trotsky através do ensaio "Teses Sobre a Transição entre a Guerra e a Paz", que foi divulgado por Bukharin em 1919 sem o conhecimento ou autorização para isso. Com isso, a Oposição Operária por meio do manifesto exigiu igualdade, a eliminação de privilégios no interior do Partido, colocar funcionários administrativos sob a estrita responsabilidade das massas que os elegeram. Para a Oposição operária a questão sobre quem ficaria responsável por criar novas formas de economia certamente seria a coletividade operária representada por sindicatos, baseando-se nas palavras de Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista. "A criação do comunismo será obra das próprias massas operárias. A criação do comunismo não pertence senão aos operários." - Marx e Engels. Kollontai junto à Oposição Operária se levanta contra a burocracia já que é um problema para a atividade autônoma e a criatividade da classe operária e propõe que ao invés de um sistema burocrático, um sistema de atividade autônoma do proletariado, liderado ativamente por ele através de sindicatos. Para ela a ascensão da revolução se daria através das massas na prática, ao contrário do que defendia a vanguarda do partido.

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    Alexandra Kollontai

    Líder revolucionária russa e teórica do marxismo-leninista, membro da facção bolchevique e militante ativa durante a Revolução Russa de 1917. Nascida e criada no seio de uma família da nobreza latifundiária, o pai Mikhail Domontovich era general de origem ucraniana e a mãe finlandesa de origem camponesa. Passou a infância entre Petrogrado e Finlândia. A família limitou-lhe o acesso aos estudos e assim, aos 16 anos após concluir seu bacharelato, foi autodidata. Aos 20 anos, casa-se com Vladimir Mikhaylovich Kollontai jovem oficial do exército com quem teve um filho. Em 1898 abandona sua situação privilegiada, deixa o marido e o filho e junta-se ao Partido Social-Democrata dos Trabalhadores Russos, atuando principalmente entre as mulheres trabalhadoras.

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    Alexandra Kollontai