"O universo é feito de criação e transformação, não de amor e ódio. Um meteorito não atinge um orbe porque o odeia, assim como um sol não explode um planeta porque tem raiva de seus habitantes. É como as coisas são. Uma eterna canção, não acha?"
Este trecho retirado de um dos contos do livro resume bem a essência do fim do mundo: um fim cíclico, que já se faz presente em toda a natureza que nos cerca e no universo inteiro. E é essa a essência que o autor consegue capturar em cada uma de suas histórias.
Todos os contos são bem escritos, dinâmicos e instigantes. Quanto mais você lê, mas você quer saber sobre aquele universo e sobre aqueles personagens, que são muito reais e humanos. Mesmo que os contos sejam breves, a ambientação futurista e apocalíptica é muito bem descrita. Cada conto se passa em épocas diferentes, mas em poucas palavras o autor consegue situar o leitor muito bem naquele universo. Mas, principalmente, a condição humana diante de um cenário apocalíptico é muito bem retratada. Você sente o desconforto do realismo de um futuro que, por conta dos fatores que o causaram, não parece tão impossível.
Inclusive, não vemos apenas um tipo de fim do mundo. Nos contos, lemos não só sobre os efeitos da negligência do ser humano com relação à natureza, mas também sobre a corrupção das máquinas e, até mesmo, sobre uma ascensão sobrenatural sobre a humanidade. Destaque para o conto "Cruz de Fogo", que procura mostrar que o "fim do mundo", para alguém, pode não significar necessariamente a destruição do planeta.
Os erros de pontuação são raríssimos, e os de ortografia, inexistentes. Lucas Nangi consegue nos entregar histórias marcantes e bem contadas dentro de um tema já tão explorado, que o autor pode encontrar dificuldades de ser original. É, com certeza, um mérito da literatura mineira e brasileira.