A parte mais divertida de ler “Juízo” (7 Letras, 2005) foi verificar o que João Ximenes Braga acertou ou errou em suas previsões sobre o mundo de 2011. No varejo, errou quase tudo: travestis continuam usando silicone e fazendo ponto na Glória; a Casa da Suíça não virou templo; reality shows ainda são produzidos; não elegemos um presidente evangélico em 2010; não há um terceiro revival do pior dos anos 80 (na verdade, o primeiro nunca terminou); a internet se popularizou, inclusive entre religiosos. As duas previsões nas páginas finais eu não vou comentar: primeiro, porque seria um spoiler; depois, porque só aconteceriam em outubro de 2011. De qualquer forma, espero que erre de novo. No atacado, ele acertou: existe uma carolização da política, um avanço do conservadorismo religioso, aliado a outras forças reacionárias. Saindo da política e voltando à literatura, o grande problema do romance é a dificuldade de encontrar nele uma voz narrativa convincente, até porque o autor hesita o tempo todo entre ser ou não ser o seu protagonista-narrador. (Publicado originalmente no Almanaque: http://almanaque.wordpress.com/2011/06/03/meninos-eu-li-12/)


