Eu odiei com todas as minhas forças os primeiros 80% desse livro.
Narrativamente, ele é um desastre: a prosa é estranha, os parágrafos são confusos e se repetem demais, muitas vezes a história parece não ter rumo nenhum. Eu estava decidido que como uma narrativa isso era porcaria, mas que talvez como um livro de filosofia/análise psicológica ele tivesse seus méritos.
Mas aí cheguei no fim, no diálogo com a Anny, e senti que tudo o que foi construído culminou ali em algo belo e profundo. O final também foi mais satisfatório do que eu esperava.
Isso não significa que automaticamente ele virou um livro muito bom pra mim: continua sendo um livro muito mal estruturado em vários aspectos, e pertence à classificação de obras "canônicas", que muitas vezes, embora boas, são colocadas num patamar acima do que realmente são por gente pseudointelectual da academia (que aliás é a maioria da academia), e por isso é um livro automaticamente superestimado. Mas enfim, eu diria finalmente que é uma narrativa que brilha e é inteligentíssima nos seus melhores momentos e repetitiva sem necessidade, vazia e pobre em estrutura narrativa nos seus piores.
Como uma obra de filosofia existencialista é culturalmente muito importante e isso é inegável; por outro lado senti que o Roquentin é um self insert pesado do autor - o que diminui a relevância da obra - e na minha opinião literatura de ficção não é o melhor meio pra expor essas ideias de forma completa.