Uma breve história da literatura -

    John Sutherland

    L&PM
    2017
    353 páginas
    11h 46m
    ISBN-13: 9788525435149
    Português Brasileiro

    De Homero ao e-book A literatura – formada pela tríade narrativa, lírica e drama – é a um só tempo forma de expressão e arte; fruto de sua época e de gênios individuais; testemunho de momentos históricos e devaneio fantástico. Na literatura, tudo é possível: sereias, vampiros, um narrador morto ou um personagem que rejuvenesce à medida que o tempo passa. É, em última análise, a mente humana no auge de seu talento para expressar e interpretar o mundo ao nosso redor. Neste livro genial, o britânico John Sutherland aceitou o quase insano desafio de abordar, num volume curto e acessível, todo o espectro temporal da literatura, desde os tempos da mitologia transmitida de forma oral até os dias de hoje. E – sorte nossa! – a tarefa é desempenhada primorosamente. O autor segue (mais ou menos) cronologicamente não só os principais nomes e acontecimentos da literatura de língua inglesa, mas também da literatura universal. Assim, saímos das epopeias para em seguida passar pela tragédia na Grécia antiga, as formas literárias medievais, o advento da imprensa com Gutenberg, o teatro elisabetano e Shakespeare, por obras que prenunciavam o romance (Decameron, Gargântua e Pantagruel, Dom Quixote), a formação de um público leitor feminino que revolucionaria o mercado; a invenção dos direitos autorais; a literatura do século XX, com a experiência radical de duas guerras mundiais e seus reflexos (Woolf, Joyce, Kafka, Eliot; Beckett e o teatro do absurdo); o realismo mágico; as histórias em quadrinhos e a graphic novel. Sutherland não larga a pena ao chegar no século XX; trata de autores contemporâneos experimentais, do mercado editorial de hoje e suas premiações, de gêneros surgidos via internet, como a fanfiction, e dos caminhos que a literatura ainda poderá trilhar. Ao contrário do que se poderia esperar, Uma breve história da literatura é isento de dogmatismos: o autor não decreta o que o leitor deve ler; antes, mostra-se um entusiasta de que a literatura, esta multifacetada criação do gênio humano, seguirá – na forma, no gênero e no suporte que for – enriquecendo nossas breves existências.

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    Filippe Pereira04/03/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Já pensou se o mundo existisse fora da Inglaterra?

    Para o John Sutherland nenhum outro país no mundo é tão impactante para a literatura pós-helênica do que a Inglaterra. Ele pode até estar certo, mas não deveria fechar os olhos para o resto do mundo na hora de produzir um livro sobre a HISTÓRIA da LITERATURA. E veja bem, eu não sou daqueles anti-imperialistas chatos que implicam com qualquer tentativa de dar destaque a determinado país, mas aqui o autor se excede demais. Um exemplo marcante é o fator primeiro romance moderno. Se você faz uma pesquisa, mesmo em inglês, as diversas fontes tendem a apontar para Dom Quixote, o autor prefere afirmar que foi Robinson Crussoé, um romance posterior inglês, o que realmente não é um problema, cada definição de romance moderno pode apontar um diferente, tem livros anteriores a Dom Quixote que poderiam se encaixar. Mas o que mais frustra é que ele preferiu escrever um capítulo inteiro sobre um crítico! inglês do que sobre Dom Quixote e seu autor, que definitivamente tem uma relevância ímpar para os romances. Outro exemplo ele mesmo nos fornece, dizendo que no século XIII quem dominava a literatura eram os italianos, dentro de um capítulo que ele fala de um poeta inglês influenciado por esses italianos. Como já pode perceber, ele simplesmente não fez um capítulo para a literatura italiana do século XIII. E pior, eu estou até agora esperando uma referência mínima para a literatura russa que é uma das mais bem conceituadas do mundo. O que salva o livro do Sutherland é que ele realmente sabe o que está falando quando comenta sobre a literatura inglesa, os capítulos sobre desenvolvimento literário gregos são excelentes e ele vai para além da história da produção textual, ele comenta sobre os leitores, sobre os formatos de mercados, a ida dos livros para as adaptações audiovisuais que fazem com que o livro dele tenha um aspecto informativo extra.

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