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    Diário de um Cucaracha -

    Henfil

    Record
    1983
    278 páginas
    9h 16m
    ISBN-10: 8510226164
    Português Brasileiro
    4.1
    200 avaliações
    Leram382Lendo12Querem150Relendo1Abandonos7Resenhas6
    Favoritos12Desejados150Avaliaram200

    Publicado em 1976, "Diário de um Cucaracha" narra a passagem de Henfil pelos Estados Unidos, onde tentou, como grande parte dos latino-americanos, vencer na america.

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    Larissa Gould picture
    Larissa Gould26/07/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Diário de um Cucaracha

    Devo começar essa resenha com um chavão: todos os livros correspondem à parte de alguém. Não é um chavão? Para mim é. Cada livro que leio é uma história de amor, umas bem sucedidas e outras não, ‘Diário de um Cucaracha’ definitivamente foi bem sucedida. Como todas as histórias começarei pelo início, a capa (ou aparência) o titulo, escrito com nítida associação a bandeira dos EUA, e uma barata, mais que o suficiente para lê-lo. Não? Se a capa não bastasse para ler essa obra o autor certamente bastaria: Henfil. Se ainda assim alguém ficou em dúvida entre ler ou não uma última informação sobre o livro é definitiva, trate-se de uma coletânea de cartas escritas pelo próprio Henfil á parentes e amigos, que correspondem ao tempo que o autor passou nos Estados Unidos. As cartas datam de 1973 a 1975 e são paralelas a momentos críticos do regime militar brasileiro. Nelas podemos verificar ocasiões vividas por Henfil como o exílio de seu irmão, caçado pelos militares, ou as constantes investidas da censura ao Pasquim (semanário brasileiro que existiu entre 1969 e 1991, idealizado por nomes como Ziraldo, Millôr e Jaguar, onde Henfil era colaborador). Sou apaixonada por história, e seria mentira dizer que não achei emocionante ver, da perspectiva de alguém que vivenciava aquele momento, o que foi a ditadura militar. Sim, mas essa é só uma das atrações deste livro, a menor delas na minha singela opinião. O livro conta principalmente a vida de Henfil nos EUA, a vida dos cucarachas (baratas, apelido dado pelos norte-americanos aos centro e sul-americanos imigrantes) na “Terra Prometida”, a rotina de um cartunista prestigiado no Brasil em um país no qual não é reconhecido, aliás não é ninguém. Como ele sobrevive em um lugar com cultura e língua diferentes, sem sequer falar o idioma. Essas histórias são contadas com o humor típico do autor, tornando-as ainda mais fascinantes. No livro podemos acompanhar a primeira vez em que o autor viu neve, ou ainda suas aventuras no sistema público de saúde americano. Essa é a temática das cartas, e é extasiante. Mas o que torna esse livro simplesmente espetacular não é temática em si, é a linguagem. Por se tratar de cartas particulares é óbvio que a escrita é muito íntima, é óbvio, mas ainda assim notável. A leitura se torna prazerosa, como se você fizesse parte daquilo tudo. Como ler cartas trocadas entre Henfil e Tárik de Souza (importante repórter e crítico músical) e não se impressionar? Se ainda assim você não se interessou pela obra, sou obrigada a fazer um último apelo, leia a entrevista feita ao Henfil por Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral e Millôr, ela foi censurada pela ditadura e nunca chegou a ser publicada no Pasquim, no livro pode-se lê-la na integra, é simplesmente espetacular. ===> Leia mais resenhas culturais em www.artilhariacultural.com

    4 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 200
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Henrique de Sousa Filho profile picture

    Henrique de Sousa Filho

    Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves MG 1944 - Rio de Janeiro RJ 1988). Cronista, cartunista e jornalista. Em 1944, muda-se com a família para Belo Horizonte. Freqüenta, a partir de 1959, as reuniões da Juventude Estudantil Católica - JEC, e publica seus primeiros cartuns no jornal Resmungo, editado pela própria organização. Em 1962, ingressa como revisor na revista Alterosa, mas logo se torna cartunista, a convite do editor da publicação, o escritor Roberto Drummond (1939 - 2002), responsável pela sugestão do pseudônimo Henfil. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1967, onde passa a colaborar, com cartuns, em diversos periódicos. Integra, em 1969, a equipe de fundadores do semanário Pasquim e engaja-se na luta contra a ditadura militar. Transfere-se para Nova York em 1973 e publica seus trabalhos em dez jornais norte-americanos. No ano seguinte, retorna ao Rio de Janeiro e a partir de 1977 passa a assinar a última página da revista IstoÉ. Vai para São Paulo em 1978, envolve-se com as greves operárias e ajuda a fundar o Partido dos Trabalhadores - PT. Volta a morar no Rio de Janeiro, em 1984, e em sua coluna na revista IstoÉ, lança a campanha pela realização de eleições diretas no Brasil. Inicia em 1985 a filmagem de seu único longa-metragem, Tanga - Deu no New York Times, lançado em circuito comercial apenas três anos depois. Morre em 1988, no Rio de Janeiro.

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    Minas Gerais, Brasil

    Henrique de Sousa Filho