Quando conheci Lars Justino, o sujeito tinha pontinhas brancas nos cabelos e uns fiapos quase invisíveis delatando a loucura em sua pobre alma nada sonhadora. De fato, era uma figura bem típica dos covis de malucos e covardes e mais malucos. Porém, não era um covarde, nem maluco (tudo bem, um pouquinho), pouco corajoso, mas bravo igual leão. Não contei a parte mais estranha: era imortal. Lars tinha vivido muitos séculos, andado por muitas terras, conhecido gente mais estranha, e falava todas as línguas, menos inglês. Entre todas as épocas, sua favorita era a Guerra Fria e o inicio dos anos oitenta. Conheci esse sujeito há longos 17 anos, quando eu mesmo não tinha bigodes brancos e não estava cego de um olho. Disse-me estar vivo há exatos 2000 anos, cinco meses, quatro dias, três horas, dois minutos e um segundo. Não acreditei. Você acreditaria? O conheci por puro acaso. Tudo porque um dia, sem mais nem menos, Lars Justino ficou cansado de ser imortal e embarcou em busca da morte. Se está procurando uma narrativa concisa, inteligente, consistente e toda bonitinha, advirto-o: pegue outro livro. Este aqui é recomendado para os mais problemáticos.
Filósofo Suicida -
Leonardo de Andrade
Em Foco Editora
2017
244 páginas
8h 8m
ISBN-13: 9788593882043
Português Brasileiro
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Leonardo de Andrade
Natural do Rio Grande do Sul, nascido em 1997. Conhecido como Escritor Estilhaçado, publicou seu primeiro livro em 2012, aos quinze anos de idade. Cresceu no meio de gibis empoeirados e livros antigos. Além de escritor, ocasionalmente atua na área de jornalismo e é graduando em Pedagogia pela Universidade Federal de Pelotas.
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Rio Grande do Sul, Brasil


