Coincidentemente, nesses tempos em que há um embate entre a liberdade ir e vir e a proliferação do coronavírus, pelo menos em países livres, peguei despretensiosamente esse livro do Dr. Mauro Simões sobre J. S. Mill.
O professor Simões trata em desmitificar vários pontos sobre o Utilitarismo que John Mill defendeu, pois há autores famosos que confundem as suas ideias, como por exemplo, a famosa historiadora norte-americana Gertrude Himmelfarb. Bem, estou relatando um fato, não opinando quem está certo ou errado, pois não ouvi os argumentos da Dra. Himmelfarb...
Um dos capítulos, "5. O princípio da liberdade: aplicações.", trata sobre o caso da escravidão voluntária, no contexto daquele tempo de Mill, quando vigente a escravidão no mundo ocidental. Inicialmente pensei: para quê discutir isso nesses tempos? Depois pensei que, não poderíamos comparar a precarização do trabalho com o trabalho escravo, quando você trabalha apenas para garantir o pão e o teto? Ou seja, tratar sobre a antiga escravidão nos traz lições importantes para hoje, quem sabe para evitar os erros do passado?
De qualquer maneira, achei excelente ter esse livro como introdução às obras de Mill, que pretendo ler, pois já vamos com algumas escamas retiradas dos olhos. Resta a curiosidade em saber, o que diria John Stuart Mill se estivesse vivo nestes tempos de pandemia e sua politização? Será que a divulgação de "fake news" faz parte da liberdade de expressão, é crime de opinião ou contravenção contra a sociedade?
"A felicidade inclui não somente a busca da felicidade, como também a prevenção ou mitigação da infelicidade." (J. S. Mill, em Utilitarismo)
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