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    Os Mutilados -

    Hermann Ungar

    E-primatur
    2015
    188 páginas
    6h 16m
    ISBN-13: 9789899943803
    Português
    4.1
    5 avaliações
    Leram2Lendo0Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados1Avaliaram5

    «Uma obra-prima que deveria ser incluída entre os grandes clássicos da Literatura.» Thomas Mann, prémio Nobel de Literatura Um inferno sexual, pleno de depravação, crime e da mais profunda melancolia - uma digressão monomaníaca, se preferirem, mas apesar de tudo uma digressão interior de arte no seu sentido mais puro, escreveu Thomas Mann sobre este romance de Hermann Ungar. A história de um empregado bancário neurótico e socialmente inepto cuja grande ambição é a criação de uma vida controlada e sem surpresas mas que é arrastado numa cadeia de eventos para o caos total. Escrito em pleno coração cultural de uma Europa sob influência das doutrinas de Freud, Os Mutilados, é um romance que nos fala das nossas inseguranças e põe a nu as relações menos lícitas e raramente abordadas entre o indivíduo e a sociedade. Obra de escândalo na forma como aborda as temáticas sexuais, o livro de Ungar caiu no esquecimento antes da Segunda Guerra Mundial e foi apenas redescoberto nos anos 80, altura a partir da qual passou a integrar o cânone da melhor literatura europeia do Século XX. Um livro maravilhoso e horrível, cativante e repulsivo, inesquecível embora se ficasse contente por poder esquecê-lo. Stefan Zweig

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich07/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Esse livro é realmente uma pérola que mereceu toda a exaltação que o Thomas Mann fez dele, sustentando que merecia figurar entre os grandes clássicos universais. Hermann Ungar é, assim como Kafka, um escritor de origem judaica que nasceu na atual República Tcheca e que escrevia em alemão. Afora essas semelhanças étnicas, os dois se conheciam e, o que é mais interessante, tinham semelhanças de estilo literário. É o que me parece ao ver o quanto há de kafkiano nesse expressivo "Os mutilados". Trata-se da história de um personagem deslocado e desajustado socialmente, o temeroso Franz Polzer, que viveu experiências traumáticas na infância que repercutiriam e definiriam toda a sua vida. Se há realmente no livro mutilados no sentido físico, Polzer era um mutilado no sentido psicológico, alguém a quem foram cortados o ânimo, a vontade e o próprio movimento da vida, de modo que tudo o que ele almejava era manter a ordem e fugir dos sobressaltos. Infelizmente, porém, um dia a conta chega para Polzer, um dia o seu fracasso e o seu desajuste lhe caem sobre a cabeça e o que o autor conta é justamente como se dá esse processo. Verdade que isso se dá com o encontro de outros personagens que tinham as suas próprias agonias, sejam elas médicas, religiosas ou sexuais, mas tudo isso se conjuga de maneira a fazer Polzer cair ainda mais na sua pobre vida de homem em estado de medo. É um livro muito ágil, vertiginoso em vários momentos (quando se entra realmente na cabeça do personagem e se segue o seu desencadeamento de ideias fóbicas), forte em muitas cenas e aberto a múltiplas interpretações, análises e estudos - tal e qual realmente se espera de um clássico da literatura.

    14 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 5
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas80%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Hermann Ungar profile picture

    Hermann Ungar

    Hermann Ungar (1893-1929), foi um escritor judeu da Morávia de expressão alemã. Particularmente ativo no meio literário intelectual de Berlim, Viena e Praga na terceira década do século XX, Ungar foi influenciado pelo Expressionismo e pela psicanálise. As suas obras testam até aos limites mais negros o tecido social e abordam temáticas de choque como a sexualidade e a doença psicológica. Admirado por todos os grandes nomes da cultura germanófil, foi comparado a Kafka aquando da sua publicação em França onde a sua obra foi traduzida perto do final da sua vida. Autor de dois romances, vários contos, peças de teatro e ensaios, Ungar foi esquecido durante a Segunda Guerra Mundial tendo as suas obras sido especialmente destacadas entre a lista de livros da destruir pelo regime nazi. Nos anos 80, após uma nova tradução francesa da sua obra, o escritor foi ressuscitado tendo sido traduzido em mais de duas dezenas de línguas e vendo novamente o seu nome a figurar no cânone da literatura europeia. Ele foi elogiado como um grande escritor por Thomas Mann, que se tornou padrinho do filho de Ungar, Tom (nascido Thomas Michael Ungar). <b>Obras:</b> - Meninos e Assassinos (1920) - Os mutilados (1923, romance) - O Assassinato do Capitão Hanika (1925, não-ficção) - A Classe (1927, romance) - O General Vermelho (1928, peça de teatro) - A Árvore (1930, peça) - Colbert's Journey (1930, contos)

    7 Livros
    1 Seguidor

    Hermann Ungar