Karl Marx foi supervalorizado (na minha opinião, acontece o mesmo com Nietzsche, Paulo Freire, Gramsci, entre outros).
O livro vem apresentar o homem que deu origem ao mito. O livro não tem conotação ideológica e faz uma análise fria.
Muito mais do desenvolvimento político e social do que pessoal de Marx. Mostra como a vida de Marx se entrelaçou nas discussões políticas da época e como se encaixaram nas correntes comunistas/socialistas de então.
Um livro que se torna cansativo em diversos momentos, quando a explicação do contexto social e político adentram em detalhes a meu ver desnecessários.
Meandros das atividades prussiana, italiana, francesa e inglesa, especialmente, que poderiam ser resumidos sem que o livro perdesse o fio da meada, possibilitando que a leitura focasse mais no personagem Marxista.
Apesar de suas filhas e seus partidários terem queimado a maior parte dos documentos que mostrariam o homem fraco, descontrolado, omisso, confuso, perdulário e parasita que Marx foi, muito ainda se pode achar.
Assim, somos levados a saber como Marx dependia não só de Engels, mas como das benesses de outros amigos endinheirados para se manter e de ajuda dos pais, bem como de suas heranças, que queimou com facilidade impressionante. Ainda assim, não aceitava viver fora da aparência de riqueza. E deixou que alguns de seus filhos morressem vivendo em ambientes lúgubres, mal alimentados e sem dinheiro para o tratamento.
Notadamente racista, o que é mostrado em correspondências. Certa vez, um desses amigos que o sustentavam, Lassale, sugeriu que ele empregasse sua filha, já que estava devendo tanto. Karl e sua esposa se ofenderam com o "absurdo" de uma de suas filhas trabalharem e assim trataram o benfeitor de sua família, como nesse trecho extraído de uma correspondência de Marx: "Agora está bem claro para mim - o formato da sua cabeça o modo que seu cabelo cresce provam - que ele descende dos negros que acompanharam Moisés na fuga do Egito. A inconveniência do sujeito também é coisa de preto". Já sua esposa, também em carta, afirma que "A coroa de louros estava fresca em sua testa olímpica e sua cabeça ambrosiana, ou melhor, em seu cabelo duro e espetado de preto".
Esse mesmo Lassale presenteava a esposa e filhas de Marx, que não viam a hora de se ver "deliciadas com a impressão que as novas roupas causariam aos 'filisteus do bairro, nos dando respeito e crédito".
Sim, isso mesmo. Os filhos e esposa do maior crítico do capitalismo, adoravam uma nova moda para poder mostrar poder aquisitivo à vizinhança e se sentirem superiores.
Vai mais um trecho sobre quem era o "deus" da esquerda mundial:
"Ele leva a vida de um verdadeiro intelectual boêmio. Tomar banho, arrumar-se, trocar a roupa de baixo são coisas que raramente faz, e gosta de ficar bêbado. Embora passe dias e dias sem fazer nada, trabalha dia e noite com incansável resistência quando tem muito trabalho para fazer. Não tem hora certa para dormir e acordar. Frequentemente passa a noite acordado, e então se deita no meio-dia no sofá, vestido da cabeça aos pés, e dorme até o começo da noite, sem dar a mínima sobre o que acontece à sua volta" (documento da época)
Ou ainda:
"A qualquer um que o contradissesse, ele tratava com absoluto desprezo; a qualquer argumentação que não gostasse, respondia com cortante desdém pela imensurável ignorância que a inspirara, ou com injúrias caluniosas sobre os motivos daquele que a apresentara - ele denunciava qualquer um que ousasse contestar sua opinião"
Vemos muitos de seus seguidores agirem exatamente como ele. Diga o que quiser, desde que concorde comigo.
Nas correspondências com o pai, chamado Heinrich, sempre era repreendido pela facilidade que tinha para torrar dinheiro (ah, esses capitalistas) e pelo total descaso que Marx tinha com a família:
"Heinrich alegava que os estudantes mais ricos gastavam menos de quinhentos táleres, enquanto Karl tinha ultrapassado os setecentos táleres, 'contrariando tudo que acordamos'. Finalmente, na última carta que teve forças para escrever, Heinrich mais uma vez repreendeu seu filho por seu "aristocrático silêncio" sobre o dinheiro, e lembrou que Karl já gastara mais dinheiro no quarto mês do curso de direito do que ele tinha ganhado durante todo o inverno"
Um homem perdulário, mas que era contra o capitalismo. Que não trabalhava, fazendo apenas bicos, mas que escreveu uma tese sobre o valor do trabalho e a mais valia.
Que criticava a burguesia, mas que era sustentado por ela e queria viver como ele, não aceitando baixar seu padrão, mesmo com isso penalizando seus filhos e sendo despejado. Que não aceitava ser contestado ou participar de discussões onde não concordassem com ele.
E que hoje é o herói de uma ideologia que ele próprio, durante sua vida, chegou a conclusão que era furada (viveu amargurado porque suas conclusões não o permitiam terminar sua obra, com o terceiro volume de "O capital").
Inclusive, já dizia, ainda em vida, que ele mesmo não era um marxista.
Todas as suas previsões furaram.
Vivia gritando e prevendo "revoluções iminentes" na Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Prussia, que nunca aconteceram. E já havia reconhecido que não aconteceriam.
Mas seus seguidores até hoje se apegam à expectativas às quais ele mesmo já havia abandonado.
Pena que os seus seguidores são dos que menos o estudam.