Foi uma boa experiência ler esta obra de Haruki Murakami. Primeiro romance asiático que leio.
O livro tem um ritmo lento, mas isso não é demérito algum. Se tivesse sido escrito por qualquer outro autor, de forma diferente, a história talvez me parecesse entediante ou exaustiva pela quantidade de detalhes nas descrições - descrições essas que podem parecer enrolação para alguns leitores. Para mim, o autor escreveu de forma vívida e que muito me prendeu à leitura. Além do mais, as descrições aqui têm papel importantíssimo! Conforme avançamos na história vamos percebendo que qualquer detalhe ou fala mencionados anteriormente podem desempenhar grande influência na imagem geral da história. São tantos detalhes que termino o livro com a leve sensação de que posso ter deixado alguma coisa passar despercebida.
Enfim, a narrativa em primeira pessoa caiu como uma luva nesta história. O leitor e o narrador caminham juntos, com a mesma ignorância dos fatos, aos poucos tentando montar um quebra-cabeças de toda essa situação confusa, acompanhando o personagem principal numa jornada de autodescobrimento. Além de Toru Okada, aqui todo personagem é peculiar à sua maneira, cada um com sua personalidade e com uma história para contar de seu passado, com seus pensamentos próprios e desejos. Mesmo com tamanha diversidade, é como se a história de todos eles estivessem ligadas por algum fio. O destino, talvez?
O livro tem muitas referências histórias, o que dá mais realismo à história; curioso também notar a influência ocidental na cultura japonesa desde o pós-guerra, através das referências citadas de livros, músicas, óperas e filmes ocidentais no dia a dia do nosso herói - desde a primeira página quando ele assobiava La gazza ladra de Rossini até posteriormente quando ele conversa com Noz-Moscada enquanto almoçam em um restaurante italiano no centro de Tóquio.