Para quem acompanha a literatura brasileira, não causou surpresa ?O Clube dos Jardineiros de Fumaça? ganhar o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2018. Sua autora, a gaúcha Carol Bensimon, ao longo de 10 anos de carreira, tem acumulado sucessivos elogios graças ao estilo inovador de sua obra e há seis anos, teve o nome incluído na lista dos ?Melhores Jovens Escritores Brasileiros? organizada pela revista britânica Granta.
Lançado em 2017 pela Companhia das Letras, o livro dá voz a diferentes personagens dotadas de uma aspiração em comum: uma vida alternativa de acordo com as próprias convicções, mesmo que isso signifique desafiar as convenções sociais. Desse grupo, emergem tipos fascinantes, como Dusk, um hippie das antigas, Sylvia, uma ex-professora solitária, e a insegura Tamara, namorada norte-americana de Arthur Lopes, o protagonista.
Nascido e criado em Porto Alegre, ele é um jovem professor de história que decide passar uma temporada na Califórnia, após a polícia desbaratar uma pequena plantação de maconha que mantinha na casa dos pais cuja finalidade era amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia realizada pela mãe cancerosa que recentemente falecera. Um escândalo que lhe custou o emprego, a reputação e um processo que claudica na Justiça.
Seu destino é o Condado de Medoncino, uma região rural, pouco habitada e mais conhecida por ser uma das maiores produtoras de maconha dos Estados Unidos. Arthur deseja entrar no negócio e chega a cidadezinha de Point Arena em 2016, alguns meses antes da droga ser legalizada no estado para fins recreativos. Para se ter ideia dos valores que movimentavam o comércio ilícito, um ano antes, 2,64 milhões de pés foram apreendidos pela polícia e o valor estimado da safra beirou os 23,3 bilhões de dólares.
Sinteticamente, baseada em vasta pesquisa e inúmeras visitas a região, Carol aproveita a história de Arthur para escrever sobre o universo complexo e cheio de sutilezas da droga no norte da Califórnia. O livro também aborda a paulatina incorporação dos elementos da contracultura ao mainstream.
Finalmente, um aspecto interessante são capítulos inseridos no livro com a trajetória de figuras reais. Entre elas, há quem fez história como Robert Randall, o primeiro paciente legalmente autorizado a usar a droga nos Estados Unidos. Porém, há relatos de pessoas anônimas e um exemplo é o de um guarda florestal especializado na erradicação da maconha em terras públicas que teve o nome trocado para John Lowry.
Nota: Adquiri o e-book e recomendo.