Eu queria que esse fosse meu último livro desse ano. Para mim, ser o último livro é algo importante. Só escolho aqueles que tem altíssimas chances de me conquistarem completamente, e eu não tinha qualquer dúvida de que esse seria assim. Mas um problema no carro me fez ficar na mesma cidade por mais tempo do que eu planejava e, como só tinha esse livro para ler, resolvi começar logo.
E ele realmente teria sido um último livro perfeito, porque me lembrou do quanto amei O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude, a escrita da Mackenzi Lee e seus personagens. Esse livro é exatamente o que eu estava procurando, tão feminista, emocionante e engraçado quanto eu precisava. O único problema dele é que ele acaba. E tem tanta história ainda depois do final que eu queria ver acontecendo! Não tem como a autora escrever mais um livro, não? Mais dois, pelo menos?
A Felicity é uma personagem maravilhosa, daquelas que deveriam aparecer bem mais em livros históricos e contemporâneos. Ela tem tanta paixão pelo que faz e tanto amor próprio, que não se deixa aceitar menos só porque é mais fácil. Além disso, ela tem essa sede de conhecimento incrível que dá para notar em tudo que faz. E o jeito que a autora tratou a assexualidade dela também foi ótimo, na minha opinião, porque não transformou em uma grande questão, mas tampouco relativizou como se não fosse real, só "uma fase".
Mas a melhor parte da Felicity são seus defeitos! E ela tem vários, e vários que fazem total sentido com o resto da sua personalidade, que trouxeram questionamentos sobre a visão dela de si como mulher e a visão que ela tinha das outras mulheres do mundo e que foram muito bem trabalhados. As cenas dela com a Johanna foram, na maior parte, minhas favoritas, e eu leria outro livro desse universo só por elas, se já não quisesse também pelo Monty, o Percy e a escrita da autora que é imbatível.
Nesse livro, como no do Monty, fiquei impressionada de novo com a habilidade da autora de criar tantos questionamentos pessoais e sociais, mas ao mesmo tempo manter um enredo movimentado e emocionante! E o toque de fantasia que ela deu, como no primeiro, foi na medida certa! Em muitas cenas, eu fiquei extremamente apreensiva, em várias outras, eu ri alto, e preciso admitir que esse é meu tipo de enredo preferido.
Meu tipo de livro, aliás, também porque já vou sair escrevendo várias frases dele em meus cadernos, agendas e pela casa afora. Essa duologia é simplesmente perfeita e precisa ser espalhada pelo mundo, para ver se a gente consegue fazer um mundo um pouco melhor. E eu vou ler absolutamente tudo que a Mackenzi Lee escrever na vida, sem nem parar para ler a sinopse antes. De longe, uma das minhas autoras favoritas!
Não tem mais nada que eu possa dizer. Só: vai logo ler esse tesouro de livro.