"Assim a literatura, após a morte do autor, deixa atrás como legado os esboços de cenas vividas".
Assim eu me despeço dessa que para mim, além de imortal, foi uma gigante, sempre a frente de seu tempo. Um extraordinário livro de memórias de quem viveu muitas vidas em uma só. Um conjunto de histórias, narrados de forma sublime, e com a eloquência peculiar de quem sou muito fã, Nélida Piñon. A imortal Nélida Piñon, dona de uma erudição singular, capaz de tornar um simples conto em um conceito que transcende às páginas. Costumo dizer que as obras de Nélida Piñon, foram feitas para se apreciar com a alma. Querida Nélida, que viverá sempre em cada conto e prosa, que se reunirá a tantos como: Claricinha como você docemente se referia a Clarice Lispector, Machado de Assis, Lima Barreto entre outras lendas. Vá em paz. Me despeço com um texto seu.
"Constato que envelhecer não me leva a renunciar ao privilégio da arte. Porque, mesmo sendo secundária a arte que subscrevo, a vida perdoa quem sou. Só não pensem que minha criação esteja a serviço de uma estratégia narrativa vergonhosa. Quando muito, ela padece de um fracasso estético, do lastro que lanço ao mar ".