Isso não é uma distopia.
Quando liberdade é retirada de uma distopia, normalmente a motivação para que não ocorra uma rebelião é que as pessoas não sabem que precisam de liberdade, e quando elas descobrem coisas acontecem. Nessa "distopia", as pessoas não precisam de tal liberdade. O resultado é que a obra de Huxley, apesar de ter comentários extremamente pertinentes e relevantes para sua época, falha em ser uma distopia e passa a ser uma utopia sob um olhar preconceituoso. Eu adoraria viver na Londres de Admirável Mundo Novo, já que o controle do Estado sobre as pessoas é tão primordial que eu estaria genuinamente feliz se tivesse nascido e vivido ali. Quanto à história, a primeira metade do livro estabelece um conflito interno nesse sistema, e esse conflito não tem prosseguimento, já que no meio do livro começa um segundo conflito, dessa vez externo, que representa a visão de alguém vivendo na nossa época, mas o problema é que esse conflito nunca tem resolução também Então ao final do livro você é deixado com dois conflitos não-resolvidos e uma conclusão que tem 2 capítulos somente com diálogo expositivo sobre a filosofia e o mundo de Aldous Huxley e 1 capítulo que acompanha a nossa visão externa sendo rechaçada. Ao final do livro, Huxley vai contra sua proposta ao longo do livro - mostrando que o sistema que estava sendo criticado venceu no final, e na verdade foi uma utopia que nunca virou uma distopia.







