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    Caixa H. G. Wells -

    H. G. Wells

    Carambaia
    2017
    576 páginas
    19h 12m
    ISBN-13: 9788569002284
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Tido, ao lado do francês Jules Verne, como um dos pais da ficção científica, o escritor inglês H. G. Wells (1866-1946) foi uma celebridade em sua época, graças ao sucesso conquistado logo no início da carreira com títulos como A máquina do tempo, A ilha do Dr. Moreau, O homem invisível e A guerra dos mundos, nos quais antecipou as viagens espaciais e os experimentos genéticos. Obras menos conhecidas, A Guerra no Ar e O Dorminhoco, reunidos agora numa mesma caixa, pertencem a uma fase imediatamente posterior, um filão que o autor chamou de “fantasias sobre possibilidades”, no qual elabora desenvolvimentos científicos e políticos a partir de tendências já perceptíveis em seu tempo. A prodigiosa imaginação de Wells descreve, em ambos, um futuro sombrio e distópico, muito diferente da era vitoriana em que viveu, considerada por ele mesmo um período de progresso, sobretudo científico, e cordialidade social. A Guerra no Ar, publicado pela primeira vez em 1908 numa versão serializada na imprensa e depois reescrito para ser lançado em livro, projeta uma novidade tecnológica, a máquina voadora, em seu uso bélico. Escrito num período em que pipocavam pelo mundo experimentos com balões, dirigíveis e aparatos mais pesados que o ar, mas ninguém ainda havia feito um voo de longa distância, o romance vai além e acompanha a trajetória de um humilde mecânico de bicicletas – chamado Bertie, apelido familiar do próprio escritor – que acidentalmente se vê participando de uma guerra mundial catastrófica e, afinal, sem vencedores. Na certeira previsão de Wells, os aviões trariam uma transformação radical nas guerras: em vez de conflitos circunscritos a frentes de batalha, levariam a ataques ampliados para grandes áreas, muito mais letais e ameaçadores para as populações civis. O Dorminhoco (1910) é ainda mais enfaticamente político e conta a história de Graham, um homem na casa dos 30 anos, herdeiro de uma grande fortuna, mas que vive uma vida desmotivada e sofre de uma insônia crônica. Quando finalmente cai no sono, dorme durante 203 anos e acorda numa sociedade totalmente diferente da que conhecia. Para sua estupefação, o patrimônio que possuía o tornou uma espécie de dono do mundo e alvo de uma idolatria mística, graças a investimentos e aquisições feitos durante seu sono. Aqui a veia satírica de Wells aparece com vigor, ao descrever um mundo em que uma elite desfruta de ambientes sofisticados em metrópoles hipertrofiadas, com intensas luzes brancas, elevadores, domos, caminhos móveis e estruturas de vidro, enquanto operários vivem em estado de semiescravidão em subterrâneos escuros, recebendo comida em troca de trabalho. Como é comum nas obras de Wells, o entrecho foi uma inspiração para Woody Allen no filme O Dorminhoco (1973).

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    Michelly Alves picture
    Michelly Alves01/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    praedestinatione: Wells e sua literatura antecipatória.

    Nesta edição concedida pela Carambaia, estão presentes as publicações de “O dorminhoco” e de “A guerra no ar”. Ambas as publicações exibem prefácios escritos por Wells, cujo esclarecimento de duas situações particulares muito me interessa: 1) um cenário de possibilidades; 2) descrições minuciosas da finalidade da guerra e suas consequências. Pode não transparecer nas sinopses da edição, mas para além do romance narrado, quando adentramos as entrelinhas, o que temos é o despertar do progresso tecnológico, cuja finalidade é o avanço de políticas de extermínio. Mesmo que estejamos no auge da revolução industrial — aqui o autor foi um pouco além das fábricas, dos trabalhadores, da culminação capitalista — o que há é uma descrição pormenorizada de situações-limite, em que os personagens estão cotidianamente sufocados por dinâmicas de conflitos. Isto, pra mim, é o que há de original em Wells, assim como o diagnóstico das consequências promovidas pela ascensão das tecnologias de guerra moderna e contemporânea. Com esta narrativa, Wells fez surgir à imaginação, não só os métodos, mas também os danos causados, estruturais e psicológicos aos personagens, com a aparição da guerra moderna e com o colapso da civilização. Entretanto, também faz ver um novo horizonte de possibilidades, como quando descreve as peripécias de “O dorminhoco”. E digo isto fazendo uso de exemplo. Diferente de “O dorminhoco”, o segundo livro intitulado “A guerra no ar” faz dos aeroplanos e a guerra, cenário e personagem. Nesse livro, Bert Smallways, o personagem principal, é figura secundária, um mero observador, desaventurado, observando o frenesim que sua vida tomou após um pequeno acidente. De um dia para o outro, Bert Smallways é desgarrado tal qual uma ovelha de sua vida sossegada no campo, para o centro de uma guerra, cuja regra é matar e dominar. Firmando o que eu poderia chamar de fim de um horizonte de possibilidades. Em compensação, no livro “O dorminhoco”, o personagem principal está o tempo todo cercado da expectativa de um novo futuro. Aqui, a expectativa de mudança está não só no próprio personagem, mas também no povo. Apesar de haver, todo o tempo, a possibilidade de uma guerra, o espectro de algo novo faz aparições recorrentes, provando-se vivo e operante. Firmando, consequentemente, a abertura de um novo horizonte de possibilidades. Creio que ambas as obras se complementam. Quase como um ciclo. E se há qualquer coisa a ser pensada quando fechamos este ciclo, é: O fim do horizonte de expectativas encontra-se não só na guerra, mas também no ócio. Também acho de bom tom ressaltar os posfácios de ambas as obras que compõem esse box: Pelo que consegui captar, para além da infinidade de situações a serem pensadas, muitos autores contemporâneos de Wells, isto inclui Orwell, mantinham-no como um autor imaginativo. Ora, se foi imaginativo – no sentido pejorativo mesmo – ou não, não sei. Mas que foi um baita de um analista foi. Soube fazer um trabalho simples que inclui estudar, observar e ampliar o seu conhecimento para as consequências do progresso civilizacional. Com o uso da imaginação, só nos deu o aviso do que vem por aí. Afinal, isso não é uma das finalidades da literatura? Lembrando que, a primeira edição de "A guerra no ar", saiu em 1907. Já a Primeira Guerra teve seu estopim em 1914. Se há ou não excesso de imaginação nos livros de Wells, não sei. Mas que há franqueza no epitáfio dele: "Eu avisei, tolos malditos", há. Quanto a edição da Carambaia, perfeita. Montagem gráfica, tradução, organização de prefácios e posfácios. Não há o que reclamar. Esta tem forte indício de ser a minha melhor leitura do ano.

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    Herbert George Wells

    Herbert George Wells, conhecido como H. G. Wells, foi um escritor britânico. Nos seus primeiros romances, descritos, ao tempo, como "romances científicos", inventou uma série de temas que foram mais tarde aprofundados por outros escritores de ficção científica, e que entraram na cultura popular em trabalhos como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos. Outros romances, de natureza não fantástica, foram bem recebidos, sendo exemplos a sátira à publicidade Edwardiana Tono-Bungay e Kipps. Visionário, chegou a discutir em obras do início do século XX questões ainda atuais, como a ameaça de guerra nuclear, o advento de Estado Mundial e a Ética na manipulação de animais. Desde muito cedo na sua carreira, Wells sentiu que devia haver uma maneira melhor de organizar a sociedade, e escreveu alguns romances utópicos. Ele analisa a dicotomia entre a natureza e a educação e questiona a humanidade em livros como A Ilha do Dr. Moreau. À medida que envelhecia, Wells foi-se tornando cada vez mais pessimista acerca do futuro da humanidade.

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    Herbert George Wells