Não nos enganemos: as águas que o poeta guarda não são límpidas, não são cristalinas como o que, a princípio, pode ser evocado pelo nome. Diferente do guardador de rebanhos Alberto Caeiro, que se quer pastor bucólico, o guardador de águas não é atraído pela beleza das coisas, mas pela doença delas. Aqui, nessa poesia de líquida matéria, o que se tem é menos o movimento das corredeiras e dos riachos que a mudez das águas retidas. As coisas que acontecem aqui acontecem paradas. (...) LUCIA CASTELLO BRANCO

