Tem livro que tenta romantizar militância, fuga e exílio. Aqui não tem muito espaço pra isso. O que aparece é o caos mesmo, vivido na pele, com medo, contradição e um senso de urgência que atravessa tudo. O relato do Alfredo Sirkis sobre o período do golpe no Chile é cru, meio fragmentado, mas justamente por isso tão honesto.
O que mais me pegou foi como ele desmonta qualquer fantasia heroica. É gente tentando sobreviver, se reinventar, errando, aprendendo e carregando o peso de uma derrota histórica pesada. Ao mesmo tempo, rola uma circulação pelo mundo que mostra como as lutas estavam conectadas, mesmo quando tudo parecia ruir.
A escrita é ágil e até irônica em alguns momentos, o que ajuda a não deixar o livro insuportavelmente denso. Dei 4 estrelas porque, apesar de potente, a narrativa às vezes se perde no ritmo quebrado. Ainda assim, é um testemunho importante, daqueles que lembram que ditadura nunca é abstração, é sempre violência concreta.