Um jovem se lança nos braços da solidão, isolando-se por determinado tempo para que possa ter uma experiência única, almejando extrair algum sentido em meio a um turbilhão de pensamentos que afligem o ser humano. Cabo Polônio é o destino escolhido, cujo ambiente, paradoxalmente, ao mesmo tempo e em certa medida, inóspito e receptivo, acarreta em momentos reflexivos, proveitosos e tormentosos, que acabam por satisfazer, pelo menos em algum nível, a pretensão do viajante. São os relatos dessa viagem, dessa experiência, desse período, desses momentos, que constam escritas estilisticamente nas páginas do livro, numa espécie de compartilhamento literário de inquietações entre o narrador-protagonista e o leitor.
Em busca de horizontes frescos e de novos sentidos para um coração cansado, o viajante protagonista da obra relata os trajetos de sua viagem, narrando os percalços, as alegrias e as inquietudes que preencheram todo aquele período de sua experiência. O destino é o Cabo Polônio, no Uruguai. O narrador chega inicialmente na cidade grande, onde, instalando-se num hostel, conhece pessoas no curtíssimo período que por ali fica. Dentre as novas amizades, em meio a cafés, vinhos e cervejas, Clara, Idzi e Estrella formam aquelas que recebem um carinho ainda mais especial nas interações que ali surgem. Antes de partir, é feito o convite para que as mulheres visitem o viajante em sua residência temporária afastada de tudo e de todos. Há a promessa de que a visita ocorrerá, o que enaltece o espírito romântico do viajante, pois uma paixão por Estrella ali surgira. E é assim que o protagonista parte para aquele lugar longínquo que o aguarda, ansiando ao mesmo tempo pela solidão pretendida e pela dissipação dessa com o preenchimento daquele espaço vazio pela presença daquelas figuras femininas que conheceu. Estrella principalmente.
O livro é repleto de reflexões, as quais surgem a todo o instante na medida em que a experiência do protagonista avança. É uma espécie de relato de viagem literário, dada a riqueza com a qual a narrativa é construída, somado aos registros das inquietações do viajante - estas resultantes da própria motivação de sua viagem. O resultado é uma obra que estabelece um diálogo preciso entre autor e leitor, compartilhando-se sentimentos e pensamentos. Um escrito de qualidade que possui algo a dizer. O resultado, tanto da experiência do viajante (o livro - e além...), como da leitura por aquele que tem contato com o livro, é proveitoso. Vale!