Um viagem introspectiva
Quando um livro traz à tona todo um repertorio de abstrações através de uma narrativa simples, porém carregada de filosofia e compreensão diversa do universo interior, ele cumpre um papel importantíssimo a literatura. Consagrada pela sua literatura, Virginia Woolf parafraseia sua vida através dos seus livros. A sua literatura se confunde com as suas experiências pessoais. Em A Viagem, seu livro de estreia publicado em 1915, Virginia Woolf nos apresenta uma jornada fascinante pelo desconhecido mundo da existência humana. O livro, narrado em terceira pessoa, nos conta a história de Rachel Vinrace, é uma jovem mulher de 24 anos, com poucas perspectivas em mente sobre sua vida. Com uma sensação de incompletude Rachel vive suas indecisões, criando para si um visão do mundo ingênua e distante. Na mesma medida ela consegue articular uma inteligência e uma capacidade extraordinária de perceber os outros. Uma mulher que pensa e reflete sobre as imagens que cria, uma filosofa da vida interior. E refletindo suas angustias da juventude, Rachel vai descobrir um novo mundo mais diverso e recheado de novidades que ela jamais poderia imaginar, com muita intensidade. Logo após uma viagem de férias com o seu pai, Rachel decide partir para uma temporada de férias com os seus tios, Mr. e Mrs. Ambrose, num pais da América do Sul (Brasil?), um país que fica nas entrelinhas. Virginia Woolf cria personagens cheios de angústias e dúvidas sobre a vida. Nessa viagem a um lugar e descrições sobre um mundo fantástico que quase beira irrealidade Virginia Woolf expõe o amor e a dificuldades das personalidades, as variadas forma de perceber um universo fantástico e exótico. Nessa colônia inglesa na América d Sul Rachel conhece Terence Hewet, um jovem romancista de 27 anos que está tentando escrever um romance sobre o silêncio. Hewet acaba se tornando uma companhia amorosa para Rachel, que a faz deseja-lo em pensamentos ambíguos entre o sentimento e a compatibilidade de gênios. Uma provocação silêncios filosóficos, de sentimentos abertos, vastos e diferentes. Entre a indiferença e o desejo Rachel e Hewet decidem se casar. A trama apresenta outras histórias, de casais e intrigas pequenas, dos amigos de Rachel e Hewet, que também preenchem a história do livro. Recheado de diálogos, esse livro vai te conquistando aos poucos. O livro tem muitas abstrações, e um que pesado da melancolia da Virginia. Há uma diversidade na analise dos caracteres humanos. É importante ressaltar o crossover de Mr. e Mrs Dalloway que a Virginia faz nesse romance. Particularmente eu me encantei. O final é tremendamente triste e melancólico, num misto de desesperança e reflexão. Emoção e indiferença, medos e incompreensões. Hesitações e atitudes. Virginia Woolf nos brinda com um romance fantástico.





