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    A trégua -

    Mario Benedetti

    L&PM
    2008
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-13: 9788525417022
    Português Brasileiro
    4.2
    3180 avaliações
    Leram4342Lendo131Querem2462Relendo4Abandonos62Resenhas484
    Favoritos34Desejados2462Avaliaram3180

    Martín Santomé é um viúvo com três filhos adultos com os quais tem uma relação acidentada. Está prestes a se aposentar, após anos exercendo um trabalho burocrático e rotineiro em uma firma comercial – um de seus poucos orgulhos como funcionário é a caligrafia cuidadosa com que faz anotações nos livros da empresa. Letargizado em uma vida comezinha, cinzenta e sem alegria, Santomé pergunta-se o que fará quando se aposentar. Aprender a tocar um instrumento, talvez? A sua existência é alterada quando ele conhece Laura Avellaneda, uma bela e encantadora jovem que parece prometer toda a vitalidade que falta a Santomé. Será Avellaneda realmente uma redenção, ou apenas uma trégua? Publicado em 1960, A trégua é a mais importante narrativa do escritor uruguaio Mario Benedetti (1920-2009) e uma das obras-primas da literatura latino-americana do século XX. Escrito no formato de diário pessoal e repleto de uma finíssima ironia, retrata de maneira pungente a vida inócua e sem perspectivas dos grandes centros urbanos, bem como a luta perdida contra a solidão e a inexorável passagem do tempo. Um livro atual e definitivo.

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    Flávia picture
    Flávia29/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    DON´T WAIT ON TOMORROW ´CAUSE TOMORROW MAY NOT SHOW.

    “A Trégua” é o mais famoso romance do poeta, ensaísta e escritor uruguaio Mario Benedetti, publicado em 1960, tendo sido considerado uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, vamos acompanhando a vida de Martín Santomé, um homem prestes a se aposentar, que faz um relato honesto sobre a vida, família, amores e dissabores. Ao procurar sobre a data de publicação deste livro, li que é especialidade de Benedetti escrever sobre relacionamentos, e foi interessante isso, porque foi exatamente essa a sensação que ele me deixou com esse livro. De que este é um romance que fala (e nos ensina!) sobre relacionamentos. E aqui eu não estou me referindo apenas a relacionamentos amorosos. De fato, o que vemos é um olhar muito preciso do protagonista sobre todas as suas relações, sejam elas amorosas, familiares, de trabalho, ou até mesmo com amigos de infância, vizinhos e pessoas que cruzam seu caminho apenas para lhe servir algo em umas das cafeterias e restaurantes nos quais Santomé nos convida a acompanhá-lo ao longo da história. É bela a forma como o protagonista apreende o mundo ao seu redor. Suas descrições de lugares e (em especial!) das pessoas é preciso e honesto, sem excluir as partes boas tanto quanto as ruins. E apesar de ser uma narrativa poética, de escrita agradável, ela também é recheada desse humor ácido (que eu amo!) que por mais maldoso que seja, chega a nos fazer rir (e como eu ri!). Mas a maior beleza desta história está no fato de que seus personagens são reais. Eles acertam, se relacionam, erram e pecam como qualquer pessoa nesse mundo. E é exatamente por isso que esse livro nos encanta com tanta facilidade. Porque nessa dança da vida, onde ora acertamos os passos, ora muito desajeitados pisamos uns nos pés dos outros, vamos sendo envolvidos por ritmos e movimentos que mesmo quando desconhecemos, não há como escapar de por eles ser envolvido. E é exatamente essa a beleza desse romance. É difícil colocar em palavras toda a magnitude que uma história como essa é capaz de nos proporcionar. Porque apesar de ser uma história de ficção, ela nos faz pensar nas relações que mantemos no nosso dia a dia. Para mim, o mais impactante era o seu senso de presença que Santomé tinha. Ele era um homem vivendo o seu processo de envelhecimento, naquela crise do “o que eu faço da minha vida depois de me aposentar?”, e ainda assim, ele tinha algo que tanto falta no mundo atual: presença! Entende o que eu quero dizer aqui? Em um mundo frio de telas de celular e computadores, onde se diz tudo o que se quer, menos a verdade. Onde as fotos são cheias de filtro, e já não olhamos mais nos olhos uns dos outros ao falar. Onde a fala é por caracteres que não tem som e nem emoção. Onde falamos de qualquer jeito, e já não nos preocupamos em entender, porque hoje em dia se ouve mais para responder do que para compreender o que o outro tanto quer nos dizer. Em um mundo de superficialidades, indiferenças e muitas mentiras ditas com tanta verdade, Santomé vem nos ensinar o poder de olhar para as pessoas ao nosso redor, especialmente aquelas com quem convivemos, sem pressa, observando cada detalhe, cada gesto, do mais simpático até o mais odioso, estabelecendo um contato verdadeiro com quem nos cerca porque são parte do nosso dia. São parte de quem somos no mundo! E nos relacionarmos com honestidade é o símbolo máximo do respeito, em um mundo onde essa palavra parece já ter desaparecido quase por completo. Este livro é uma verdadeira lição, que não tem nada de perfeita, porque assim como na vida, Santomé também irá fazer suas tentativas e erros, mas o mais importante é que ele tenta! E é isso que ele vem nos ensinar. Que belo livro para encerrar esse ano. Que escrita sublime de um mestre em relacionamentos. Que bela forma de passar uma mensagem tão importante sobre a vida. Que homem mais sábio foi esse uruguaio, e só posso dizer que já estou ansiosa para ler outros livros dele. E só para admirar um pouco mais de uma obra que é um verdadeiro deleite, eu quero encerrar com uma parte desse diário de um homem que tanto me ensinou, chamado Martín Santomé, que retrata com maestria o poder e beleza desta história: “Segunda, 3 de fevereiro Ela me dava a mão e eu não precisava de mais nada. Bastava isso para que eu me sentisse bem acolhido. Mais do que beijá-la, mais do que deitarmos juntos, mais do que qualquer outra coisa, ela me dava a mão, e isso era amor.”

    90 curtidas

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