Meu Campo -

    Fiori Esaú

    Penalux
    2017
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788558332019
    Português Brasileiro

    A infância retém-se fragilmente preservada na memória, contra o peso do tempo que sempre por sua passagem sopra os ares da melancolia vindos da saudade do passado. Neste sentido, a poesia de Fiori Esaú não aclama necessariamente à uma vida sem contratempos, mas a tristeza por uma ausência presente, em relação a uma era no qual entes queridos marcaram-se como fulguras destacadas, que alegram as memórias. No poema “Armazém” o poeta solta a sua flauta saudosista para cantar sobre a infância na qual vivia no armazém de seu avô, nas suas divagações tudo é saudade, até pelas coisas não compreendidas, até pelos obstáculos, pelas dificuldades, o que importa nesta cantiga melancólica é homenagear a permanência da adoração pelas épocas passadas, “ é que eu ainda menino / me punha na penumbra / do armazém / e ficava tentando entender / por que as aranhas / faziam teias no teto / tão alto, alto”, ou em “ As vozes negociavam com meu avô, / laconicamente, o balcão envelhecia, / madeira.” A lírica do poeta tem passagens bem herméticas, nas quais as técnicas mais exploradas são a utilização das metáforas, porém, esta elaboração não decora sua poesia em excessos, apenas traz um toque sofisticado, para complementar as ideias trazidas pela poesia. O autor utiliza alternadamente algumas personificações, apenas como forma de finalização as estrofes, como em, ”quase não vi / o instante em que as notas / de todas as músicas juntas / soaram no tímpano / o tom de esquecer”. Com um conjunto de metáforas o autor cria sua saudade como modo de homenagear o passado, sendo que a poesia é o seu instrumento de preservação do tempo, para ele, acaso a tristeza e a desolação ameassem o calor do canto alegre da poesia, o autor diz, “ pedirei à bússola, / agulha de engenho, / imã de palavra, / que aponte, / o grande mar, / o grande mar, o grande mar”.

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    Editora Litteralux09/11/2017Resenhou um livro
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    A poesia da saudade

    A infância retém-se fragilmente preservada na memória, contra o peso do tempo que sempre por sua passagem sopra os ares da melancolia vindos da saudade do passado. Neste sentido, a poesia de Fiori Esaú não aclama necessariamente à uma vida sem contratempos, mas a tristeza por uma ausência presente, em relação a uma era no qual entes queridos marcaram-se como fulguras destacadas, que alegram as memórias. No poema “Armazém” o poeta solta a sua flauta saudosista para cantar sobre a infância na qual vivia no armazém de seu avô, nas suas divagações tudo é saudade, até pelas coisas não compreendidas, até pelos obstáculos, pelas dificuldades, o que importa nesta cantiga melancólica é homenagear a permanência da adoração pelas épocas passadas, “ é que eu ainda menino / me punha na penumbra / do armazém / e ficava tentando entender / por que as aranhas / faziam teias no teto / tão alto, alto”, ou em “ As vozes negociavam com meu avô, / laconicamente, o balcão envelhecia, / madeira.” A lírica do poeta tem passagens bem herméticas, nas quais as técnicas mais exploradas são a utilização das metáforas, porém, esta elaboração não decora sua poesia em excessos, apenas traz um toque sofisticado, para complementar as ideias trazidas pela poesia. O autor utiliza alternadamente algumas personificações, apenas como forma de finalização as estrofes, como em, ”quase não vi / o instante em que as notas / de todas as músicas juntas / soaram no tímpano / o tom de esquecer”. Com um conjunto de metáforas o autor cria sua saudade como modo de homenagear o passado, sendo que a poesia é o seu instrumento de preservação do tempo, para ele, acaso a tristeza e a desolação ameassem o calor do canto alegre da poesia, o autor diz, “ pedirei à bússola, / agulha de engenho, / imã de palavra, / que aponte, / o grande mar, / o grande mar, o grande mar”.

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