Como será o passado? - história, historiadores e a Comissão Nacional da Verdade

    Caroline Silveira Bauer

    Paco Editorial
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8546208964
    Português Brasileiro

    "Como será o passado? História, historiadores e a Comissão Nacional da Verdade' nos conecta com as complexas tramas que conformam a memória social acerca da ditadura no Brasil. A obra descortina o processo de criação da Comissão Nacional da Verdade e a elaboração de seu Relatório Final, ao mesmo tempo em que discute sobre os usos políticos do passado e os fazeres e práticas dos historiadores. Assim, problematiza as múltiplas temporalidades que envolvem os debates acerca da experiência ditatorial e da própria CNV. Caroline Silveira Bauer aborda o tema de forma ética e sensível, furtando-se de caminhos fáceis e privilegiando perguntas em detrimento de respostas. Reside aí sua maior qualidade: a habilidade de nos interpelar com tantos e tão vigorosos questionamentos. Ela nos conduz ao exercício da reflexão e oferece as ferramentas para tal, a partir de um diálogo que articula a História com o Direito, a Psicanálise e a Filosofia. Ao fazê-lo, evidencia que a história e as memórias acerca da última ditadura brasileira serão percorridas por muito tempo. Como será o passado? tem todos os atributos para se tornar leitura obrigatória para aqueles que desejarem percorrê-las. E assim será." - Alessandra Gasparotto

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    Paulo César Gomes12/03/2023Resenhou um livro
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    “Essa foi uma comissão da meia verdade, porque só falou de um lado da história”. “Como será o passado?”, da historiadora Caroline Bauer, foi um dos primeiros estudos historiográficos a tomar a Comissão Nacional da Verdade como objeto de análise. A obra trata desde o momento da instalação da CNV, em 2012, até a entrega de seu relatório final, em 2014. A pesquisadora busca problematizar as relações entre passado e presente que vêm à tona no funcionamento de um órgão de justiça de transição como a CNV. De que maneira a CNV tratou o período da ditadura militar brasileira? Quais os limites impostos pela Lei de Anistia de 1979? Que questões éticas surgiram ao longo dos trabalhos da CNV? De que maneira o passado ditatorial passou a impactar o presente após a publicação do relatório final do órgão? As temáticas que envolvem essas perguntas não são consensuais entre os historiadores e historiadoras, e ainda menos na sociedade de modo geral. Sabe-se que a publicação do relatório final da CNV incomodou os setores sociais conservadores, sobretudo os militares. As forças armadas nunca assumiram as graves violações aos direitos humanos praticadas durante a ditadura. Tal atitude encontra-se até hoje protegida pela Lei de Anistia, que impede a punição dos agentes do Estado que cometeram crimes no período do regime de exceção. Ao tornar públicos, após pesquisas aprofundadas, os nomes dos responsáveis diretos ou indiretos por violações aos direitos humanos, a CNV acabou provocando a ira da extrema direita que, nos anos seguintes, reforçou o negacionismo histórico, bem como passou a difundir interpretações que valorizam o arbítrio da ditadura. Não é à toa que, atualmente, vemos proliferar, com grande influência das redes sociais, versões mentirosas sobre a história brasileira entre 1964 e 1985. Por fim, cabe ressaltar, não faz o menor sentido afirmar que a CNV foi uma comissão da meia verdade, já que o objetivo de um órgão como esse é apurar os crimes cometidos por agentes de Estado contra cidadãos e cidadãs brasileiros ou estrangeiros, de modo que a verdade histórica seja restabelecida e as vítimas ou seus familiares recebam algum tipo de reparação.

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