Ensaios para a queda -

    Fernanda Fatureto

    Penalux
    2017
    70 páginas
    2h 20m
    ISBN-13: 9788558332446
    Português Brasileiro

    O título faz menção ao livro A Viagem Vertical de Enrique Vila-Matas. O início da obra do escritor espanhol começa com a epígrafe de Vicente Huidobro : “Caia/Caia eternamente/Caia no fundo do infinito/Caia no fundo de você mesmo/Caia o mais baixo que possa cair.” A partir daí, surgiu a associação do título Ensaios para a queda com poemas que falam da queda humana – o abismo, a condição falha que conduz a humanidade ao seu limite e também à redenção. A queda nada mais é que uma abertura à surpresa e às possibilidades infinitas da linguagem: o poema emerge da escavação interior. No livro, é possível traçar um diálogo com autores que permeiam o imaginário poético de Fernanda, como Paul Celan; Maria Gabriela Llansol, entre outros. No prefácio, o poeta, escritor e jornalista André Caramuru Aubert afirma que “se todos esses (e outros) ‘antepassados’ ajudaram a fazer da poesia de Fernanda o que ela é, eles não a explicam, não a definem e nem, finalmente, ajudam a classifica-lá. Alguns poemas me parecem quase um romance em miniatura, um daqueles no qual há um gigantesco cuidado formal com cada palavra, mas que lograsse contar toda uma extensa história em poucas linhas.” Segundo André Caramuru Aubert “os poemas de Fernanda Fatureto explodem, enfim, com qualquer classificação. O que temos aqui são – em perfeita harmonia com uma das minhas definições prediletas sobre o que é um poema – preciosas peças de lirismo concentrado.” Ensaios para a queda é dividido em três partes: Travessias, Miragem e Polifonia.

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    Editora Litteralux14/11/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A poesia de Fernanda Fatureto beira a fluidez de um romance, com uma narrativa na qual sua intenção linear circunda-se por sua vocação lírica, na qual as imagens, as palavras, as sinestesias giram no movimento da criação poética, para enriquecer sua então micro história com significações e impressões tão intensas, que lhe permitem existir conquanto somente em alguns conjuntos de versos. Seus temas trazem a impassibilidade do tempo, porém, nesta violência com a qual os fatos, as memórias, deslizam-se para o passado, há também o despertar do poeta, o qual não é indiferente aos tique taques impulsionadores de esquecimentos, mas sim, entrega-se a uma absorta epifania de existir à medida de um definhamento de sonhos e corpo físico, como em, “Prometeu nos deu o fogo enquanto instante: / Não há nada a temer. / Ensaio tropeço a não ser no sonho / Este me guarda/ enquanto ciclo infinito indo e vindo sobre o nada”. Ainda que discretamente a poeta ensaio suas críticas sociais, “Hoje sonhei com Paris / E então veio a notícia dos tiros, / Pessoas mortas como na guerra de Bastille”, ou em “Qualquer garotinho sabe que o herói mata mais / do que beija a mocinha”. Nestes trechos de viés social, a autora desenvolve uma faceta sua, a qual é permanente em toda sua poesia, desdobrada em sinceros questionamentos à cerca do mundo, seja sobre o cogitar da severa passagem do tempo, seja dos amores duros, ou mesmo das guerras. Com poderosos imagens e metáforas sintetizadoras de grandes ideias, a poeta realiza uma poesia concisa, não somente pela claridade de suas palavras, como também pela precisão com a qual sua sensibilidade tange o ser humano.

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