Zumbi assombra quem? -

    Allan da Rosa

    Nós
    2017
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788569020219
    Português Brasileiro

    Zumbi é um tipo de monstro fedorento caindo aos pedaços ou um guerreiro pensante que mora nos vãos da terra? Dúvidas sobre seu corpo e sua história borbulham na cabeça do menino Candê, que mergulha nos detalhes da africanidade que leva nos poros, cabelos e passos. Junto com seu Tio Prabin, sua Mãe Manta e sua Vó Cota Irene, entre outros personagens inusitados que frequentam botecos e encruzilhadas de seu bairro periférico, neste livro colhemos cacos e cantos da história do Brasil, e abrimos horizontes sobre paternidade e as contradições entre celebrar e lamentar a Morte. Zumbi assombra quem? é o caminho do aprendizado de Candê sobre as lutas, brinquedos e mistérios de ancestrais quilombolas, descobrindo aventuras antigas que se misturam ao cotidiano de casa e da escola, e à liberdade da rua, entre pipas soltas e esquinas respingadas de sangue. Pelos seus olhos de menino surgem os mistérios, alegrias e medos de Zumbi ao lidar com perguntas que desafiam seu povo há séculos

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    Alex Souza07/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Bom demais, sem palavras,acho que essa parte fala por si só.

    " - Tio , então Zumbi assombra quem ? - Candê , Zumbi quis mesmo estorvar e ser um pedregulho na colher de prata dos palacetes, ser um caroço na mastigada do manjar em caldas dos castelos. Não é porque é feio que apavoravora e sim porque sua realeza não cabe na moldura espinhosa que desenharam pro seu pescoço. Porque sua realeza não é a da majestade que deixa seus súditos à míngua ou seus malungos sem goles de água nas caminhadas, enquanto o rei se sacia virando jarras. Ele assusta porque recebe os mortos, constrói casas e dá de comer para ele. Mas Zumbi queria apavorar mesmo. Assombrar barão que punha criança e velho pra desmaiar na enxada sem poder comer nem uma folha da tarefa toda que tinham que carpir no sol. Zumbi amedrontava quem separava famílias enchendo navio e charretes pra carrear africano sequestrado. Arretava de medo quem pra lucrar e dominar rebanho escrevia e escarrava que o preto da sua pele era de bicheira, que era sujeira transbordada do seu coração. Zumbi azucrinava os donos e feitores que mandavam gente encher tijolo pra fazer mansão , mas que não podiam morar em casa sem mofo e sem ratazana, gente que tinha sempre um duque pra coçar as costas com escovinha ou pra servir os biscoitos na bandeja enquanto suas próprias crias mal tinham uma colher de mingau. Zumbi vivo , Candê , muito vivo. Apavorando pra num vacilo buscar de volta nos casarões e nas senzalas os seus malungos, quebrar as correntes e com eles se entocar nas selvas e serras. Mas, antes de tudo, apavorava porque incendiava. - Os casarões , tio ? - Não, pequeno. Os sonhos."

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