Demolidor Decálogo é a continuação do arco de histórias iniciado em Demolidor Revelado, parte da passagem do escritor Brian Bendis pelo personagem. Este 3º volume nos apresenta 3 arcos de história completos: "A Viúva", "A Era de Ouro", e o "Decálogo".
Em "A Viúva", Bendis traz de volta a heroína Viúva-Negra, antiga namorada de Matt, em uma boa trama de espionagem, repleta de ação, romance e um ritmo de tirar o fôlego. Em a Era de Ouro, o predecessor de Wilson Fisk, Alexander Bolt, foi liberado da prisão, e está sedento por vingança contra o Demolidor. Acompanhamos então a trajetória do antigo Rei do Crime, em uma aventura que percorre a história do universo Marvel. Uma história simples, mas que chama a atenção pela versatilidade apresentada por Alex Maleev, que alterna o tipo de arte de acordo com a época em que a história está se passando: quando Bendis está retratando eventos do início das atividades de Bolt, a história é desenhada em preto e branco; depois ele assume uns tons de sépia e simula quadrinhos antigos, para retratar um Demolidor em início de carreira, ainda de uniforme amarelo, e seus primeiros embates contra Bolt e o Gladiador.
E por fim, em "Decálogo", arco que dá nome ao encadernado, Bendis muda a perspectiva da história, pois ao invés de narrar a história pelo ponto de vista dos protagonistas, o autor decidiu mostrar a visão das pessoas sobre as ações do Demolidor e os impactos que elas tiveram em suas vidas. A história se passa quase que em sua totalidade dentro de uma igreja, em uma reunião em uma espécie de AA para pessoas que tiveram suas vidas "transformadas" pela intervenção do Demolidor. Cada uma delas conta sua história, com o Demolidor como coadjuvante. Mas existe algo sombrio que une essas pessoas e as suas histórias, o que dá um clima de thriller psicológico a narrativa. Mas apesar da ideia ser excelente, a execução é um tanto quanto fraca. As histórias são um tanto quanto sem graça, e desperdiçam o potencial de ir mais a fundo no impacto que a atuação do Demolidor tem na vida das pessoas ao seu redor. E a guinada sobrenatural da última parte parece forçada, e o bebê demoníaco criado por um renegado do Tentáculo não funciona muito bem. Além disso, toda a coisa do "Decálogo" também não funcionou. Por um lado, são apenas cinco edições e os Mandamentos que foram levantados não foram destacados de forma memorável - e vários não aparecem na história, a menos que você se esforce muito para fazer algum tipo de relação.
Além disso, eu esperava ver muito mais do que aconteceu durante os 12 meses em que o herói ficou no posto do Rei do Crime, e como foi a histórica limpeza que ele fez. Infelizmente, isso é muito pouco abordado, e quando acontece, é de forma bem superficial.
Enfim, Demolidor Vol. 3 Decálogo ainda é um bom encadernado do personagem, e entrega uma história de super-heróis acima da média, mas definitivamente não é tão bom quanto os volumes anteriores. Uma pena que Bendis tenha deixado de lado a pegada das edições anteriores (quando se aprofundou mais a fundo na psiquê do herói e dos personagens ao seu redor, abordando temas pra lá de interessantes pra uma história de herói) para entregar um feijão com arroz. Ainda que um bom feijão com arroz, com uma narrativa fluída, diálogos muito bem encaixados e um ritmo e ganchos no final de cada capítulo que produzem em você aquela vontade de continuar querendo ler a publicação o leitor, principalmente se você curte histórias policiais com super-heróis.