Em 2004 nasceu o Clube do Conto da Paraíba, espaço onde amigos e escritores se encontram, todos os sábados, para ler e discutir narrativas breves escritas pelos participantes em torno de um tema previamente definido. Pouca gente sabe disso, mas a Maria Valéria Rezende é uma integrante assídua do tal clube, e este volume editado pela Escaleras reúne as melhores produções da escritora apresentadas naqueles encontros em João Pessoa.
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Curtos e “nada sérios”, os contos aqui presentes são leves e deliciosos e divertidos e muito bem escritos. Nas mãos de um autor menos experiente, fariam pensar na noção (piglianíssima) de um laboratório do escritor, um espaço de experimentação de formas e temas que se revelam plenamente em grandes obras posteriores. Pelas mãos calejadas da Maria Valéria, no entanto, elas já nascem obras maduras, pequenas grandes lições de controle narrativo e potencialidade literária. Arrisco o palpite de que a leitura de ‘Histórias nada sérias’ vale tanto quanto (ou bem mais) que muito manual de escrita criativa que se encontra por aí. Leiam atentos e é possível perceber como os contos dos temas “ilusão”, “estupro” e “cicatriz”, por exemplo, ensinam sobre diálogo, tensão e construção de personagem, respectivamente.
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O humor, explícito no título da coletânea, é, de fato, a tônica do volume, o que leva quase todas as narrativas, inexoravelmente, ao riso aberto ou constrangido de uma frase final certeira. MValéria, com seu ar de quem tudo ouve, vê, percebe e guarda, gosta de brincar com convenções e de nos devolver as expectativas aos farelos, como quem quisesse presentear o leitor com o esperado, mas não exatamente da forma como foi pedido. Alegria das maiores que agora não temos que esperar muito mais por seu próximo romance, Carta à rainha louca (anunciado para abril). Três vivas à “freira que desbancou Chico Buarque” (palavras escrotas da manchete de um certo jornal).