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    A invenção da cultura (Argonautas) -

    Roy Wagner

    Ubu
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788592886325
    Português Brasileiro
    4.3
    53 avaliações
    Leram117Lendo33Querem392Relendo1Abandonos11Resenhas2
    Favoritos2Desejados392Avaliaram53

    Divisor de águas na antropologia, este livro radicaliza a reflexão sobre o polêmico conceito de cultura, a partir da ideia de invenção: "Voltaire observou que se Deus não existisse teria sido necessário inventá-Lo. E eu acrescentaria [...] que se Deus existe isso torna ainda mais necessário inventá-Lo". O autor defende não só uma revisão dos modos de fazer antropologia, mas também uma reflexão sobre a ciência em geral que, assim como a cultura, estaria tanto ou mais ligada a um processo de invenções do que de descobertas. Para Wagner, o exercício de tradução é inerente ao esforço de se apreender uma nova cultura. Isto é, há sempre duas culturas em jogo: a da sociedade a ser estudada e a do próprio antropólogo. Desse modo, toda etnografia decorre de um choque cultural e elabora a visão de uma cultura em relação a outra, sendo, portanto, um processo subjetivo. O exercício de tradução de uma cultura para outra se dá como invenção, uma vez que coloca o objeto de estudo nos termos particulares da cultura do sujeito que a estuda. Além disso, o ato de se aprofundar em uma nova cultura traz consigo uma revisão de sua própria, na medida em que as diferenças tornam aparente o que sempre se percebeu como algo "natural". O texto sugere, inclusive, a noção de antropologia reversa, na qual as sociedades estudadas fariam uma leitura das sociedades ocidentais nos seus próprios termos. O autor adverte seus leitores sobre a necessidade de reinvenção da antropologia a partir dessa nova consciência. Trataria-se, assim, de mais um capítulo da história da disciplina, posterior à passagem da concepção diacrônica dos evolucionistas e difusionistas para a sincrônica e relacional do estruturalismo. Além disso, suas ideias permitem aprofundar os diálogos entre culturas. O autor elabora uma compreensão antropológica da sociedade americana da época, fazendo, por exemplo, um paralelo entre a importância da magia para a constituição simbólica das sociedades primitivas e a do consumo para os americanos, assim como uma comparação entre as dinâmicas psicanalíticas do sujeito elaboradas por Freud e a invenção da personalidade na Contemporaneidade.

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    André Henrique picture
    André Henrique17/04/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Existem grupos sociais nas terras altas da Nova Guiné?

    A abordagem do Roy Wagner traz uma carga polêmica e novo para a antropologia. Debater de como a cultura é uma criação única ocidental, os nativos da Malenésia compartilham traços comportentais semelhantes aos não-indígenas, e sobre essa influência (tais como cosmogonia e perspectivismo) que lhe faz remontar de como essas sociedades se formaram e o trabalho da alteridade dos etnografos

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    • 1 estrelas2%
    Roy Wagner profile picture

    Roy Wagner

    Roy Wagner é um antropólogo cultural especializado em antropologia simbólica. Formando em História Medieval da Universidade de Harvard (1961), possui Ph.D. em Antropologia pela Universidade de Chicago (1966), onde estudou com David M. Schneider. Ele lecionou na Southern Illinois University e na Northwestern University antes de aceitar a presidência do Departamento de Antropologia da Universidade da Virginia, onde atualmente leciona.

    4 Livros
    4 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos

    Roy Wagner