TIA ANASTÁCIA
Fizemos uma festa. Tia Anastácia fora a ama-seca de Edgard, e queridíssima na casa. - Não poderá Anastácia tomar o copo e conversar conosco ? - Ainda não tem força. - Diga-lhe Adamastor, ou pergunta-lhe se sabe que o Edgard morreu o ano passado. O copo depois da pausa, respondeu dum modo curioso: repetindo as palavras com que Anastácia respondeu a minha pergunta: - E o menorzinho também … Referia-se a Guilherme, que naquele tempo era o “menorzinho”. Confessou, pois saber da morte dos nossos dois filhos. Contei-lhe por intermédio de Adamastor, que o Edgard - ou Daga como ela dizia , deixará um filhinho, hoje com seis anos. Depois perguntei-lhe se ainda se lembrava do nome do seu marido aqui na Terra. E o copo nos transmitiu a sua resposta. - Esau. Muito certo. O preto Esau era o marido de Anastácia. Ainda tenho o retrato dele guiando a carroça da chácara do meu avô em Taubaté. Agradeci a Adamastor a sua bondosa atuação e pedi-lhe que aparecesse mais vezes - e que nos dissesse uma frase final, ou conselho, para fecho de nossa extraordinária sessão . O copo escreveu: - Cuidem de suas vidas que já não fazem pouco. Sessão de 12,08,1944.

