Publicado em 1846 faz parte de Cenas da Vida Parisiense (Estudos de Costumes), formando com "O Primo Pons", Os Parente Pobres, uma subdivisão dentro da CH.
Lisbeth, prima da baronesa Adelina Hulot, nutre por essa última uma mágoa misturada à inveja antigas e sonha em um dia poder se vingar, não apenas dela mas de toda a família direta e colateral. Não há um motivo tão concreto: faltou-lhe beleza, oportunidade de um bom casamento, fortuna. Bete sempre se sentiu humilhada perante Adelina e não se incomoda em esperar anos a fim de efetivar sua vingança. Objetivo não tão difícil de conseguir dado o caráter do Barão de Hulot, o protótipo do homem devasso e infiel. O oposto de sua esposa, exemplo máximo de virtude e resignação. Para isso usa a amiga Valéria Marneffe, sedutora, ambiciosa e dona de uma beleza quase perfeita.
Temos aqui um personagem brasileiro que de brasileiro não tem nem o nome: Barão Henrique Montès de Montejanos, figura um tanto quanto exótica e apaixonada.
Bete é de uma inteligência e sagacidade assombrosas e deverá usar todo seu poder de manipulação a fim de levar seu intento diabólico até o final e de forma que ninguém perceba sua mínima participação nos eventos desastrosos.
Paulo Rónai nos revela no prefácio que existem algumas semelhanças entre alguns personagens dessa obra com Victor Hugo, seu amigo e "rival" bem sucedido por ter conquistado coisas que Balzac almejou em vão. O autor adorava anagramas e temos Hector Hulot - Victor Hugo e Adeline Fisher - Adèle Foucher, figuras da vida real e da ficção vivendo situações um tanto quanto semelhantes.
Existe uma adaptação cinematográfica de 1998 com Jessica Lange no papel-título que pretendo ver: A Vingança de Bette.