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    Os Melhores Contos de O. Henry -

    O. Henry

    Círculo do Livro
    1987
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-13: 1000250609847
    Português Brasileiro
    3.9
    36 avaliações
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    O. Henry foi o pseudônimo com que se celebrizou o escritor William Sidney Porter, um dos mais populares contistas dos Estados Unidos. Esse pseudônimo ele adotou quando, egresso da prisão, aonde fora parar por culpa de uma imprevista reviravolta do destino, decidiu recomeçar a vida em Nova York como escritor. Os contos de O. Henry não tardaram em cair no gosto do publico das revistas em que eram publicados, e logo o contista se tornava famoso. Os editores viviam a solicitar-lhes novas historias e ele, para contentá-los, desenvolvia incrível atividade literária. Fruto dessa atividade são os mais de trezentos contos que escreveu nos dez anos que mediaram entre a saída da prisão e a sua morte naquela mesma Bagdá sobre o Metropolitano (como carinhosamente apelidara de Nova York), cujos dramas, comédias tipos humanos celebrou nas suas histórias líricas e bem-humoradas. A presente coletânea de Contos de O. Henry, organizada e prefaciada por José Paulo Paes e por ele traduzida em colaboração com Alzira Machado Kawall, reúne vinte e dois contos dos mais significativos do notável escritor norte-americano. Entre eles, páginas antológicas como ‘ O Presente dos Magos” , “Mamon e o Arqueiro”, “O guarda e o hino”, “A porta verde”, “O quarto alugado”, “O carrossel da vida”, “A ultima folha” etc.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva02/08/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    viver para escrever!

    Alguns escritores conseguem a proeza de escrever histórias vívidas e fascinantes, enquanto suas próprias vidas são praticamente desprovidas de episódios dignos de nota. Via de regra, no entanto, os escritores mais interessantes são justamente aqueles que viveram situações extraordinárias, possibilitando-os desenvolver um ponto de vista diferenciado a respeito da vida e do mundo. Dentro desse lema de “viver para contar”, poucos escritores podem se gabar de uma vida tão cheia de altos e baixos quanto O. Henry. Nascido William Sydney Potter em 1862, nos Estados Unidos, durante a guerra civil americana, ele se mudou da Carolina do Norte para o Texas no início da vida, buscando um clima mais benéfico para tratar da tuberculose. Aqui temos, aliás, um dos primeiros temas recorrentes em sua vida, pois no futuro tanto sua primeira esposa quanto sua filha morrerão vitimadas pela tuberculose, ao longo de um intervalo de muitos anos. No Texas, Potter chega a trabalhar um tempo em um rancho, onde talvez tenha surgido a inspiração para seu personagem mais famoso, Cisco Kid, que em sua pena foi descrito como um bandido, mas depois virou herói em inúmeras adaptações para o cinema e os quadrinhos. Então Potter conhece a jovem Athol Estes, apaixona-se, foge para se casar com ela (a família é contra), tem um primeiro filho que morre poucas horas após o parto, depois uma filha (que só morrerá de tuberculose depois de adulta), começa a trabalhar em um banco, enquanto paralelamente escreve para a revista “The Rolling Stone” (que acaba falindo pouco tempo depois). Daí ele é acusado de dar um desfalque de mil dólares no banco, chega a ser preso, mas o sogro paga a fiança, então na véspera do julgamento ele foge para Honduras, onde vive por seis meses. Esse período em Honduras o inspira a cunhar a famosa expressão “República das Bananas”, que desde então vem sendo muito utilizada para se referir, ai de nós!, ao Brasil... A notícia de que sua amada Athol está à beira da morte o faz voltar para os Estados Unidos, onde ele é preso e condenado a cinco anos de prisão (sairá ao cabo de quatro anos, por bom comportamento). E é na cadeia que ele começa a escrever para valer, adotando como pseudônimo o nome de um dos guardas do presídio, um tal de Orrin Henry (o próprio Potter negará essa versão, afirmando ter escolhido o nome ao acaso em uma página da coluna social). Um amigo se encarrega de levar os contos de O. Henry para os jornais e revistas, de forma que ninguém fica sabendo que esse autor, que começa a fazer imenso sucesso, escreve suas histórias de dentro de uma cela. Depois de ter vivido isso tudo, Potter ainda se casou de novo, foi abandonado pela esposa em decorrência de problemas com a bebida que o levaram à morte, após ter perdido todo o dinheiro ganho com seus escritos. Ninguém pode negar, portanto, que O. Henry levou uma vida tão rica de drama e aventuras quanto suas mais instigantes histórias. E que tipo de escrita nasceu de uma vida tão intensa? O. Henry destacou-se como um contista prolífico e especialista em surpreender o leitor com finais inesperados (ainda não havia sido cunhado o termo “plot twist”), aliados a uma narrativa espirituosa, bem-humorada e frequentemente sentimental. Essa combinação, se fez a crítica torcer o nariz, agradou em cheio ao público. As histórias de O. Henry geralmente trazem heróis da classe trabalhadora e o seu cenário predileto é a cidade de Nova Iorque. Consta que uma de suas técnicas favoritas era ficar no saguão de um hotel, observando as pessoas e ocasionalmente conversando com elas. Era assim que se inspirava para escrever um conto por semana, durante anos a fio. Desde 1920 existe nos Estados Unidos o “O. Henry Award” um respeitado prêmio destinado a contos surpreendentes. Faltou falar de minha opinião pessoal nessa leitura: achei os contos interessantes e divertidos, talvez um pouco ingênuos para o gosto de nossos tempos. Mas “A última folha” (talvez pela sincronicidade de ler uma história sobre uma epidemia de pneumonia que assola Nova Iorque estando, mais de um século depois, em meio à pandemia do coronavírus) me arrancou uma lágrima de emoção na última frase. Gratidão, O. Henry, por sua vida e obra, que mais me estimulam a “viver para escrever”! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/08/os-melhores-contos-de-o-henry.html

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    William Sydney Porter profile picture

    William Sydney Porter

    O. Henry (1862-1910) era o pseudônimo de William Sydney Porter, um dos maiores contistas americanos do século XIX e um dos autores mais populares do seu tempo. Nasceu na Carolina do Norte numa família culta e abastada. Aos três anos de idade e após a morte da mãe por tuberculose, o pai, médico, decidiu que se deviam mudar para a casa da avó paterna. William começou por frequentar a escola de uma tia e aos 15 anos foi frequentar o Liceu que concluiu tendo a tia por tutora. Em 1879 empregou-se com aprendiz de farmacêutico/boticário na drogaria do seu tio tendo aos 19 anos obtido a licença de farmacêutico. Em 1882 foi para o Texas, alguma sintomatologia de tuberculose e a ideia que uma mudança de clima seria benéfica contribuíram para essa decisão. Casou e empregou-se como caixa num banco, começando também a escrever. Comprou um jornal, The Rolling Stone, que encerrou pouco depois. Porter foi acusado de desfalque no banco e fugiu para as Honduras, de onde regressou passados três anos devido ao estado terminal da sua esposa que continou a viver no Texas. Julgado e sentenciado, cumpriu pena durante quatro anos numa prisão do Ohio, tendo começado a escrever sob o pseudônimo de O. Henry. Após cumprir a sentença, mudou-se para Nova Iorque onde viveu em estado de reclusão quase absoluta, embora fosse extremamente popular, com o terror de ser reconhecido como William Sydney Porter, devido aos anos passados na prisão. Acabou por morrer alcoólico e na miséria. O. Henry foi um autor original e fecundo, com um ritmo de escrita tal que lhe é atribuído praticamente um novo conto por semana.

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    Carolina do Norte, EUA

    William Sydney Porter