Essa é uma daquelas resenhas em que eu dou quatro estrelas, mas passo quase o tempo todo reclamando do que não gostei no livro. Ele é bom, afinal, mas definitivamente não é para mim.
Eu enrolei muito tempo para ler esse livro. Decidi ler, aliás, principalmente para desencalhar da estante, porque alguma coisa me dizia que não ia ser tão bom. Eu o comprei junto com a duologia que se passa no mesmo universo e que é centralizada na irmã da Tess, Seraphina. A outra duologia começou bem, mas o segundo livro foi muito ruim, na minha opinião, e foi isso que mais me desanimou de ler Tess of the Road.
O que me fez querer comprar o livro, alguns anos atrás, foram duas coisas. Primeiro, essa capa e o universo, que me fizeram acreditar que teria dragões na história (não tem). Segundo, resenhas que comentaram sobre como o desenvolvimento da Tess é maravilhoso. E foi.
Realmente, o desenvolvimento dela como pessoa, desde criança, passando por alguns traumas mais pesados e com ela crescendo até ir aprendendo a se cuidar, foi realmente maravilhoso. Foi excelente, aliás. Não tem muito romance, só uma migalha mais para o final, que ainda conseguiu ser muito bonita e ser com um personagem bastante cativante. Mas a falta de romance não é um problema, quando a personagem Tess é tão bem construída e complexa.
De fato, o desenvolvimento pessoal e emocional da Tess não merecia estar nesse livro. Ele é bom demais para um enredo confuso e desnecessário, cheio de criaturas quase ridículas de tão estranhas e um foco tão deslocado, que só atrapalha a força que a protagonista tinha sozinha. É uma pena a trama da serpente e toda aquela enrolação fantástica e esquisita terem ofuscado tanto a Tess como pessoa, que conseguiria carregar uma história muito melhor sozinha.
Fiquei com a impressão de que a autora tinha uma ótima história para contar, sobre o desenvolvimento de uma garota que cresceu sendo oprimida por ser mulher e desemparada quando, ainda pré-adolescente, achou que estava se apaixonando, mas estavam era se aproveitando dela (alerta para trauma de estupro, ainda que não tenha sido descrito em cena). Uma garota que cresce sozinha, que escolhe viver na estrada e buscar outras experiências, que nunca acreditava que poderia ser amada de verdade e cuidada e que vai descobrir que merece esse cuidado em lugares que nunca imaginou. Seria uma história maravilhosa e bonita sozinha, mas a autora fez questão de incluir o universo dos seus outros livros.
E não encaixou tão bem, nem parecia estar no mesmo tom, e, mais ainda, não me agradou em nenhum momento. Simplesmente não gosto das ideias dela, das criaturas e de como as coisas são nessa sociedade. Não funciona para mim, não tem charme ou atrativo nenhum e só manchou o que foi uma das melhores construções de personagem que eu já encontrei.
Esse livro também é o primeiro de uma duologia, mas eu abandono tudo desse universo e dessa autora aqui. Não consigo me forçar a engolir um universo que não me convence ou atrai em nada só porque a autora tem mesmo uma escrita muito bonita e cria personagens complexos de verdade. Ainda recomendo, porque sei que é mais pelo meu próprio gosto que não bateu com a ambientação e com a própria criatividade da autora e nem tem como negar que o livro é bom. Só não é para mim.