João Musa aos 23 anos: um trabalho revisitado ao longo de 20 anos
Há certos trabalhos e fotografias que precisam da decantação do tempo para que possamos entender e descobrir os seus significados e potencialidades. Possibilidades tais que, no calor do momento ou enviesado pelo presente, não somos capazes de perceber. Na viagem de João Musa, com então 23 anos, à Europa com um amigo da Escola Politécnica da USP, nota-se precocemente a maturidade do jovem fotógrafo na manipulação da luz e da sombra e da sensibilidade da paisagem, da cidade, da natureza e do homem a partir da condição de um olhar estrangeiro que visita terras desconhecidas. A organização da narrativa visual é como uma trilha sonora de um conto infantil. O silêncio de um som e outro separam motivos diversos, ora mais alegres, ora mais calmos. A relação das fotos se dá por uma página em branco, por relação de oposição branco/preto e claridade/escuridão, por oposição natureza/cidade, terra/mar ou exterior/interior e também por muitas continuidades temáticas como escadas e comportamentos humanos no espaço para além das já listadas anteriormente. É um grande trabalho de um artista que jovem encontrou na temática da viagem e da observação elementos que o acompanhariam ao longo das próximas décadas na arte das poéticas visuais.
